A Justiça condenou a 18 anos de prisão um homem que aplicava golpes na venda de imóveis no Rio Grande do Sul

A Justiça de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, acolheu a denúncia do Ministério Público e condenou a 18 anos de prisão o réu Marcos Martins, também conhecido como Marquinhos ou Barriga, pelo crime de lavagem de capitais. A decisão é da 2º Vara Criminal, e a pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado.

Martins foi denunciado em um trabalho conjunto desenvolvido pelo projeto-piloto da Promotoria Especializada no Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro e Organização Criminosa e Promotoria Criminal de Canoas. Preso em flagrante por lavagem de dinheiro na operação denominada Nosso Lar, que teve a primeira etapa deflagrada pela Polícia Civil em abril de 2016, o homem, posteriormente, foi solto e, segundo a denúncia, “continuou a manipular contratos, valores e bens da organização criminosa, com finalidade de ocultação de capital e conversão de ativos, inclusive se utilizando de moeda estrangeira para isso”. Depois, ele foi preso novamente.

Martins era um dos integrantes de uma organização criminosa que aplicava golpes na venda de casas pré-fabricadas. Na época da prisão, além dele, outras oito pessoas foram presas, diversos documentos e armas apreendidos, inclusive uma metralhadora de uso restrito e pistolas. O grupo é suspeito de atuar nas cidades de Canoas, Porto Alegre, Guaíba, Gravataí, Alvorada, Osório e Imbé, de acordo com as investigações.

Os criminosos ofereciam casas a preços inferiores aos praticados no mercado e exigiam um valor de entrada, mas a residência não era entregue aos compradores. Em alguns casos, apenas os alicerces das residências eram construídos. Em outros, sequer essa parte inicial objeto do contrato era executada, segundo informações da Polícia Civil.

Empresas de fachada prospectavam vítimas para o golpe da casa própria. Havia até mesmo um esquema de publicidade envolvido na venda das casas. Pelo menos 47 pessoas foram comprovadamente prejudicadas com a fraude. Foi localizado com o grupo criminoso um valor alto em moeda venezuelana (cerca de 1 milhão de bolívares em espécie) e em torno de 200 mil reais em veículos apreendidos e sequestrados.

Também foi condenado por lavagem de dinheiro, na mesma decisão judicial, Felipe Leal Galvão, denunciado pelo Ministério Público gaúcho pelo mesmo crime. A pena estipulada foi de quatro anos e seis meses de reclusão em regime inicial semiaberto.

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