Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

AMRIGS, 75 anos de protagonismo na Medicina gaúcha

Quando a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) foi fundada, em 1951, a Medicina brasileira vivia uma realidade muito diferente da atual. Muitas especialidades ainda davam seus primeiros passos, a estrutura hospitalar era limitada e os recursos diagnósticos estavam longe da sofisticação que hoje integra a rotina médica. Ao longo dos 75 anos seguintes, a profissão passou por transformações profundas. Poucas instituições acompanharam essa evolução de forma tão próxima quanto a AMRIGS.

A data foi celebrada durante um jantar de gala realizado na sede da associação, em Porto Alegre, reunindo autoridades, lideranças médicas, ex-presidentes, representantes de sociedades de especialidades e associados. Mais do que uma comemoração, o encontro serviu para refletir sobre a contribuição da entidade para a qualificação profissional, a disseminação do conhecimento científico e o fortalecimento da Medicina no Estado.

Ao longo de sua trajetória, a associação acompanhou a expansão das escolas médicas, a consolidação das especialidades, os avanços da pesquisa e a modernização da assistência hospitalar. Também participou de debates relacionados à formação profissional, à ética médica e à qualificação do atendimento, consolidando-se como um espaço permanente de atualização e intercâmbio de conhecimento.

A abrangência de sua atuação ajuda a explicar sua relevância. Atualmente, a AMRIGS reúne 45 sociedades de especialidades médicas e 26 seccionais distribuídas pelo Rio Grande do Sul, formando uma rede presente nos 497 municípios gaúchos. Essa estrutura permite aproximar profissionais de diferentes regiões e áreas de atuação, fortalecendo o associativismo e a circulação de conhecimento em um setor cada vez mais complexo.

O papel desempenhado por instituições dessa natureza torna-se ainda mais importante em um cenário marcado pelo envelhecimento da população, pela incorporação acelerada de tecnologias e pelo avanço da inteligência artificial aplicada à saúde. Em um ambiente de mudanças constantes, a atualização científica deixou de ser diferencial para tornar-se requisito da prática médica.

Durante a solenidade, o presidente da entidade, Gerson Junqueira Jr., destacou os princípios que orientaram a construção dessa trajetória. “Construímos uma trajetória voltada à valorização do médico e da ciência, à disseminação do conhecimento técnico e científico e ao fortalecimento das boas práticas na Medicina. Essa caminhada tem no associativismo uma de suas principais bases”, afirmou.

A relevância da associação também foi destacada por representantes do poder público. A secretária-adjunta da Saúde do Estado, Lisiane Fagundes, lembrou a atuação da instituição durante as enchentes de 2024, quando colaborou em ações de apoio às comunidades atingidas e na distribuição de medicamentos. O episódio demonstrou a capacidade de mobilização da comunidade médica em momentos de grande impacto social.

A cerimônia incluiu homenagem a médicos que ajudaram a conduzir a organização em diferentes períodos de sua história. Foram reconhecidos Hans Ingomar Hermann Albert Schreen, Newton Monteiro de Barros, Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues, Alfredo Floro Cantalice Neto e o atual presidente, Gerson Junqueira Jr. O reconhecimento simbolizou a contribuição de diferentes gerações para a consolidação de uma das mais representativas entidades médicas do país.

A programação marcou ainda o lançamento do livro comemorativo dos 75 anos da associação. A publicação reúne registros históricos, fotografias e relatos que ajudam a compreender a evolução da entidade e sua participação em momentos importantes da saúde gaúcha.

Ao completar sete décadas e meia de existência, a AMRIGS celebraa capacidade de permanecer relevante em uma área marcada pela transformação permanente. Em uma atividade movida pela ciência, pela inovação e pelo compromisso com a vida, sua história se confunde com a evolução da própria Medicina gaúcha. É essa capacidade de adaptação, sem abrir mão de seus princípios fundadores, que explica a permanência de sua influência após 75 anos de atuação. (por Gisele Flores – gisele@pampa)

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