Bolsonaro veta compra da Coronavac e surpreende lideranças gaúchas

Após o Ministério da Saúde anunciar a compra de doses da vacina chinesa Coronavac, nesta última quarta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou de forma contrária e disse que não vai autorizar o negócio. O anúncio foi uma surpresa, até mesmo na esfera municipal. É que o Secretário de Saúde de Porto Alegre já alinhava uma estratégia para ter a vacina.

Por volta das 8h desta quarta-feira (21), Bolsonaro respondeu um comentário de um seguidor no Facebook. Se identificando como menor de idade, o indivíduo pedia ao presidente não comprar doses da Coronavac, após o anúncio do Ministério da Saúde.

A resposta do presidente foi de acordo com o que o adolescente pedia e mais tarde, Bolsonaro anunciou oficialmente que não aprovará a compra da vacina chinesa. A publicação dizia que a imunização só seria disponibilizada após ser comprovada cientificamente, o que já previa o acordo do Ministério da Saúde com o Instituto Butantan, responsável pelo desenvolvimento da Coronavac no Brasil. Em Porto Alegre, já existia uma estratégia para contar com a vacina que seria distribuída pelo Governo Federal. O secretário da saúde da capital gaúcha criticou a decisão.

“A ideia entre os gestores e técnicos da área da saúde é de que toda e qualquer vacina segura e eficaz disponibilizada em território brasileiro, ela não seja utilizada especificamente em um município, em um estado, e nem usado com fins demagógicos eleitorais e sim para proteger a população como um todo”, disse o secretário da saúde de Porto Alegre, Pablo Sturmer.

O governador Eduardo Leite também criticou o veto presidencial. “A decisão sobre a inclusão de uma vacina no Programa Nacional de Imunização deve ser iminentemente técnica e não política. Nós temos instituições renomadas trabalhando sobre esse assunto, como a Fiocruz, o Instituto Butantan, e o que deve ser observado é a condição de segurança, a viabilidade técnica e também a agilidade para disponibilizar essa vacina para imunizar a população, ou seja, sem análises políticas. O importante é que seja tecnicamente decidido e viabilizado para a população que ela precisa, que é a garantia de uma vacina segura o mais rápido possível”, destacou Leite.

Porto Alegre já possui um pré-plano estratégico de imunização contra a Covid-19. O acordo do Ministério da Saúde com a Coronavac iria disponibilizar a quantidade necessária que Porto Alegre precisa para beneficiar grupos prioritários, quando a vacina fosse comprovada 100% segura. Mas com o cancelamento da aquisição das doses, a capital começa a se movimentar para encontrar alternativas e não depender do Governo Federal.

“Nós temos ainda assim, uma previsão orçamentária para a aquisição de vacinas. Nós temos todo um bom contato com o estado de São Paulo, se for o caso de fazer alguma aquisição direta”, comentou Sturmer.

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, também se pronunciou. “Nós já temos no nosso orçamento, os R$ 150 milhões que já estão no fundo para a compra da vacina contra a Covid-19, criado em julho desse ano. E nós temos uma capacidade bastante grande, inclusive com a parceria com a iniciativa privada de fazer chegar essa vacina o mais rápido possível na população”, revelou Marchezan.

Antes do veto de Bolsonaro, a expectativa era de que a população começasse a ser vacinada ainda em dezembro deste ano, prazo que a imunização deve ter a efetividade comprovada.

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