Caminho das Cascatas no Vale do Taquari reúne aventura, cultura, hospitalidade e belezas naturais

Os projeto turístico Caminho das Cascatas começou a ser idealizado em 2013, por empresários e setor público do Vale do Taquari. Trata-se de um investimento resultante da união de municípios da região: Forquetinha, Sério, Boqueirão do Leão e Progresso. Em 2014 ele foi formatado e vinha sendo aperfeiçoado. Agora, em 2018, com adesão de vários empreendimentos ao projeto e apoio do Sebrae, foi apresentado às agências de turismo e à imprensa no último final de semana (24 e 25).

O atrativo reúne muitos cenários naturais, com cachoeiras, trilhas, atividades pedagógicas para crianças e adultos – no Recanto do Pedrão, por exemplo, adultos voltam a infância, com as brincadeiras de “antigamente”: tem pernas de pau, carrinho de lomba, bilboque, tuque-tuque.

As cachoeiras, claro, são os principais destaques. E, cada uma delas traz uma lenda a respeito de seu nome. No passeio realizado, no primeiro dia, no sábado chuvoso, a secretária de Turismo de Sério, Carla Ferri apresentou uma delas. A Cascata da Bugrinha fica a três quilômetros do Centro do município de Sério, o local que encanta pela beleza, e mexe com o imaginário.

Cascata da Bugrinha. (Foto: Paulo Gusmão/Divulgação)

Segundo a lenda, explicou Carla, próximo a cascata existia uma gruta que foi habitada por índios. Estes poucos habitantes da época eram conhecidos como bugres. Eles possuíam uma cultura a parte e não se relacionavam com os moradores locais. Quando alguém adoecia, era afastado da tribo, pois acreditavam que um membro doente poderia trazer má sorte aos demais. O doente então era abandonado nessa cascata.

Entre o grupo de bugres existia uma bugrinha que constantemente adoecia, e a sua mãe a escondia do restante do grupo. Porém em determinado ano a região foi castigada por uma estiagem muito forte, e o grupo começou a culpar a bugrinha pela seca. Apesar do esforço da mãe em esconder a criança, ela foi encontrada e sacrificada na cascata.

Conta-se que durante a noite, após o sacrifício da bugrinha, choveu torrencialmente na região e na época tropeiros não puderam mais acampar no local, pois os animais ficavam muito agitados. Dizem os mais antigos que até os dias de hoje, em noites que antecedem chuva, ouve-se uma criança chorar em meio a mata.




 

Gruta dos Bugres

Cerca de 1,5 quilômetros abaixo da Cascata da Bugrinha existe a Gruta dos Bugres, local que, segundo relatos, foi habitado por índios. A Gruta fica em meio a uma grande área de mata nativa e só é acessível por uma trilha íngreme, sendo possível encontrar no caminho diversas espécies de aves, insetos e outros animais silvestres.

Gruta dos Bugres (Foto: Roberto Martinez/Divulgação)

A caminhada em meio a mata termina 5 quilômetros adiante, na localidade de Alto Sampaio, aos pés de um paredão de arenito com mais de 80 metros de altura e onde é possível banhar-se nas águas esverdeadas do arroio Sampaio.

Gastronomia

É claro que para começar o tour de trilhas em uma região colonizada por alemães e italianos o que não falta é um bom café da manhã, com todas as delícias típicas. O café  café da manhã do grupo foi no Camping Schedler, em Forquetinha. Fomos recepcionados pelo casal Sérgio e Neusa Schedler, o prefeito Paulo José Grunewald, e a música de lucas André Grahl – neto dos antigos proprietários do local.

Café da manhã no Camping Schedler. (Foto: Fabiane Christaldo/O Sul)

O Camping Schedler oferece o espaço para eventos, camping, barracas prontas para alugar. Também há opção de passar o dia. A proprietária Neusa ainda realiza atividades ecológicas, principalmente para escolas. Parte da área fica localizada dentro de uma APA (Áreas de Proteção Ambiental).

Em Forquetinha, são cerca de 2,5 mil habitantes, 98% são de origem alemã. É difícil alguém na cidade não falar alemão. Por isso, o cuidado com a cultura e as tradições contam com o Parque Temático Christoph Bauer. São 14,5 hectares dedicados às tradições germânicas.



Em Boqueirão do Leão o destaque é a trilha do Perau da Nega, com o paredão de pedra, A origem do nome surgiu, porque uma escrava, ao fugir, teria se jogado do perau. O município conta ainda com as trilhas do Pedro Bastião e a Cascata do Gamelão.

Em Progresso, os destaques ficam por conta do Sítio Campiol, com a trilha da Cascata do Moinho, e um dia de campo na Cabanha Leite, com alternativa de um excelente almoço. Aliás, toda a alimentação oferecida nos passeios são produzidas pelos produtores locais. O mesmo ocorre com o que é oferecido pela família Favreto, na cidade de Sério.

Passeio de trator no sítio da Família Favretto. (Foto: Regina Cardona/Divulgação)

A hospedagem entre uma cidade e outra, quando se escolhe roteiros de mais de um dia fica por conta do Hotel D’Fernandes, em Progresso.

Hotel D’Fernandes. (Foto: Paulo Gusmão/Divulgação)

Na mesma cidade, há um ponto de parada para quem se cansou das trilhas e quer relaxar um pouco. Na MS Centro de Saúde e Beleza, tem piscina aquecida, e um lanchinho leve, com frutas da estação. Durante a visita, a proprietária ofereceu morangos colhidos da sua própria horta – sem agrotóxico.

O Caminho das Cascatas é uma alternativa bacana do interior do Rio Grande do Sul, que alia lazer, cultura, aventura com roteiros dedicados para todas as idades. Com ou sem trilhas, todos podem se divertir e conhecer um pouco mais da cultura dos imigrantes alemães e italianos. Uma das propostas, que também resgata a cultura de uma forma lúdica, é a do Recanto do Pedrão.

Carrinhos de lomba do Recanto do Pedrão. (Foto: Roberta Martins/www.territorios.com.br/Divulgação)

Além de um cenário natural lindo, o local abriga um museu da família, com objetos antigos, bem como brinquedos, como carrinho de lomba, perna de pau. Uma alternativa para mostrar às crianças, os brinquedos que seus pais utilizavam antes da era digital.

Mais informações sobre os roteiros pelo site: http://caminhodascascatas.wixsite.com/turismo

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