Terça-feira, 03 de novembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de novembro de 2026

A 72ª Feira do Livro de Porto Alegre transformou a inclusão em um dos eixos centrais de sua programação ao dedicar um espaço específico para discutir o acesso à cultura, a representatividade e o protagonismo de pessoas com deficiência na produção artística. Realizado no terceiro andar do Clube do Comércio, o Ciclo Inclusivo reúne, ao longo de novembro, debates, apresentações e encontros que colocam em evidência a participação de pessoas com deficiência não apenas como público, mas como criadoras, artistas e agentes culturais.
A iniciativa acompanha uma transformação observada no setor cultural brasileiro, que vem ampliando a discussão sobre acessibilidade para além das adaptações físicas e comunicacionais. A proposta do ciclo é destacar experiências concretas de inclusão e estimular reflexões sobre como tornar a produção cultural mais representativa e acessível.
A programação teve início em 2 de novembro, com a atividade “Dança e acessibilidade”, realizada das 17h30 às 19h. O encontro abordou as contribuições de Carla Vendramin para a dança com grupos de habilidades mistas e discutiu formas de criação artística desenvolvidas por pessoas com e sem deficiência.
Um dos destaques ocorre em 3 de novembro, das 14h às 15h, com a conversa “Pessoas com Síndrome de Down nas Artes”, que debate a presença desses artistas nos diferentes segmentos culturais. Na mesma data, das 14h30 às 15h30, alunos da APAE Porto Alegre participam da atividade “A inclusão entre luz e sombra”, ampliando o diálogo sobre arte, educação e expressão artística.
A agenda segue em 4 de novembro com uma apresentação de dança baseada no projeto “A inclusão entre luz e sombra”, das 15h30 às 16h30. Na sequência, das 16h30 às 17h30, ocorre o encontro “Deficiência não define. Oportunidade nos transforma. Inclua a nossa voz!”, voltado à valorização da autonomia e do protagonismo das pessoas com deficiência.
Outro destaque será o debate “Nanismo: Além dos Centímetros”, marcado para 7 de novembro, das 15h às 16h30. A atividade propõe ampliar a compreensão sobre diversidade corporal e combater estereótipos ainda presentes na sociedade e nos ambientes culturais.
A discussão sobre acessibilidade ganha novo espaço em 11 de novembro, quando será realizada a palestra “Acessibilidade: O mundo de todos é para todos?”, das 15h30 às 16h30. No mesmo dia, às 17h, a equipe do espetáculo “Viagem dos Sonhos” participará de um bate-papo sobre processos criativos envolvendo artistas com deficiência visual.
O encerramento da programação ocorre em 15 de novembro. Das 14h às 15h, a atividade “Produção Cultural Acessível” discutirá práticas voltadas à inclusão em projetos culturais. Mais tarde, às 18h, o Teatro Carlos Urbim receberá o encontro “Protagonismo em cena: bate-papo sobre o espetáculo Mãozinha”.
Ao reunir temas como dança inclusiva, síndrome de Down, deficiência visual, nanismo e acessibilidade cultural, o Ciclo Inclusivo reforça uma mudança de paradigma cada vez mais presente no setor cultural. A proposta deixa de tratar a inclusão apenas como questão de acesso e passa a enfatizar a participação efetiva de pessoas com deficiência nos processos de criação, gestão e produção artística. Em uma das maiores feiras literárias do país, a programação amplia o debate sobre diversidade e contribui para consolidar uma cultura mais representativa, plural e aberta à participação de todos. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)