Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Data Centers: um alerta para o Brasil

Data centers são infraestruturas industriais que armazenam e processam dados das corporações digitais, como redes sociais e inteligências artificiais.

Na comunidade de Sterling, Virgínia, Estados Unidos, a chegada de um data center mudou drasticamente a vida dos moradores. O ruído constante é debilitante. Dentro ou fora de casa, os moradores ouvem, sem interrupção, um barulho que descrevem como uma cigarra elétrica infernal.

Além disso, a alta demanda por energia elétrica do empreendimento pressiona a rede elétrica da cidade e ocasiona o uso também de motores a diesel e a gás natural, que têm sido associados a um surto de problemas respiratórios na comunidade.

Já em Fayetteville, Geórgia, Estados Unidos, além da poluição sonora e do ar, a comunidade tem problemas de abastecimento de água desde a implementação de um data center na região. Os moradores logo perceberam a perda de pressão da água nas torneiras e nos chuveiros da comunidade. A mesma coisa aconteceu perto de outros data centers no Arizona, na Carolina do Norte e em Utah.

Em todos os casos, as comunidades sofrem também com a desvalorização imobiliária, já que ninguém quer viver perto dos famigerados data centers.

Brasil está importando um problema?

A resposta curta parece ser sim. Corporações norte-americanas já começaram a estabelecer seus data centers no Brasil, e muito tem se falado das altas cifras de investimento direto no mercado brasileiro. A maior parte desse dinheiro, porém, se destina à compra de equipamentos de empresas estrangeiras.

Para piorar o quadro, os data centers geram menos empregos permanentes que outras iniciativas industriais, como, por exemplo, as fábricas de automóveis. Após a construção dos data centers, a manutenção requer uma mão de obra especializada que poderá vir, em parte, de fora do país.

Tudo isso é agravado pela falta de planejamento para construir uma indústria nacional em torno desse investimento, com a produção de peças e equipamentos, por exemplo. O interesse das corporações é obter o máximo de vantagens fiscais e estruturais possíveis, e os passivos ambientais ficam no nosso território.

Outra grande preocupação é a pressão dos empreendimentos sobre o sistema energético brasileiro. Com as privatizações no país inteiro no setor de distribuição de energia elétrica, temos visto tanto a qualidade dos serviços cair quanto os preços das contas de luz subirem, e a grande demanda dos data centers por energia elétrica poderá agravar esse quadro.

Henrique Casanova

Jornalista e geógrafo

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