Doenças cardiovasculares são principais comorbidades de vítimas da Covid-19

Em Porto Alegre quase 60% das vítimas de Covid-19 que possuíam comorbidades apresentavam problemas cardiovasculares. O levantamento é da Secretaria de Saúde da capital gaúcha que analisou as mortes ocorridas na cidade até o dia 27 de julho.

“Muitas pessoas descompensando a sua parte cardíaca, se manifestando com síndromes cardíacas e quando a gente vai ver tudo isso iniciou com um quadro de infecção pelo coronavírus”, esclareceu o médico cardiologista Marcos Michelin.

O relato do chefe da UTI de pacientes com Covid-19 do Instituto de Cardiologia mostra como a pandemia é perigosa para quem tem comorbidades ligadas ao coração. A Vigilância Epidemiológica apontou que nove em cada dez mortos em Porto Alegre pelo novo coronavírus tinham alguma doença crônica ou condição frágil de saúde. A análise concluiu que algumas pré disposições são mais letais: 37% sofriam de diabetes, 23% tinham algum problema no pulmão. Mas o número que chamou a atenção foi o de vítimas com problemas cardiovasculares: 60%.

“E os dados que a gente usou até agora concordam com o que está acontecendo com outros lugares do mundo, ou seja, grande parte das pessoas. No nosso caso 94% tem comorbidades e também ocorre em pessoas com mais idade, a questão dos óbitos da Covid”, comentou o médico da Vigilância Epidemiológica, Benjamin Roitman.

O Benjamin foi um dos responsáveis pelo levantamento que analisou as mortes ocorridas por Covid-19 até o dia 27 de julho. O recorte considerou as 292 mortes que a capital registrava até a data. No Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, hoje praticamente um terço dos casos de Covid-19 são de pacientes que chegam sem sintomas gripais, apenas com descompensação cardíaca. Os especialistas alertam para as cardiopatias mais graves, que merecem mais cuidados com a pandemia.

“O coronavírus tem uma atração importante pelo coração em si, e não necessariamente só pelo pulmão. Duas circunstâncias são bem importantes para o desenvolvimento da forma grave da Covid que são: os pacientes com insuficiência cardíaca que é o coração fraco e os pacientes com cardiopatia isquêmica grave que é aquela doença dos entupimentos das artérias do coração”, explicou o médico cardiologista .

A Secretaria de Saúde ainda apresentou a idade das vítimas da Covid-19. Quase 84% tinham mais de 60 anos. E até a data, apenas dois casos tinham menos de 30 anos.

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