Eleições: cresce número de vereadores negros em Porto Alegre

Na semana da Consciência Negra, tivemos um marco histórico nas eleições municipais. Porto Alegre elegeu a primeira bancada negra para a Câmara de Vereadores. A capital segue a tendência nacional, que teve o maior número já registrado de candidaturas de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas.

O primeiro turno das eleições municipais de 2020 ocorreu na semana da maior comemoração da cultura negra. Perto do famoso 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, Porto Alegre elegeu o maior número de candidatos negros de sua história para ocuparem as cadeiras da Câmara. Os cinco vereadores que formarão a bancada negra são: Karen Santos, do PSOL, Bruna Rodrigues, do PCdoB, Daiana Santos, do PCdoB, Laura Sito, do PT, e Matheus Gomes, do PSOL.

“O Rio Grande do Sul, infelizmente, invisibilizou a presença negra na nossa história e na nossa cultura, então esse movimento é uma possibilidade da gente começar a incluir o negro como sujeito ativo na história do Rio Grande do Sul, através dessas lutas que nós temos que estar presentes”, revelou o vereador eleito, Matheus Gomes.

O aumento da diversidade racial é destaque também nas candidaturas em todo o Brasil. Pela primeira vez, o número de candidatos autodeclarados pretos ou pardos foi superior ao de candidatos autodeclarados brancos nas disputas municipais. Ao todo, 276.091 candidatos negros concorreram, o que representa 49,94% do total de candidaturas.

“A gente está vendo uma outra perspectiva política que não a individual ou meritocrática que é a burguesia branca que constituiu a política desse país. Acho que a solução não chegou com eles, muito pelo contrário. Eu acredito que as lutas vão ser muito acirradas, mas fico pensando o quão diferente vai ser, seja qual prefeito, qual executivo que for eleito, o quão diferente vai ser tendo uma frente parlamentar negra a frente na Câmara de Vereadores”, comentou a socióloga Nina Fola.

Mais da metade da população brasileira se considera preta ou parda. Ainda há um caminho longo e árduo em direção à paridade racial nos poderes públicos. E, enquanto mais da metade da população não tiver voz e representatividade em cargos de decisão, a igualdade ficará ainda mais difícil de ser alcançada.

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