Escritora Lisana Bertussi lança romance na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre

O romance Uma fresta no sótão (Libretos, 248 páginas, R$40. Na Feira: R$32), de Lisana Bertussi, nos leva a um lugar de ficção interior. Costura em tempos passados, das primeiras décadas do século XX ao início do séc. XXI, as vidas de três principais personagens em uma colcha de patchwork, em que a palavra e a Literatura cumprem a função de linhas e pontos em cruz.

Reproduz na memória do leitor aquele lugar e aquele tempo para os quais sempre se pode voltar. Passando por diversas fases da vida das três mulheres, o romance tem como fio condutor os conflitos em relações mútuas, quando tentam desincrustar os afetos velados pelas dificuldades de se estar no mundo.

Através da Literatura, Lisana nos permite perceber na observação da filha, Elisa; nas dúvidas da mãe, Tereza; e na solidão da avó, Natalina, a revelação das verdadeiras personalidades em mútuas descobertas. Como se nas palavras e nas memórias pudéssemos encontrar um significado transcendente para as ligações afetivas.

O cenário, se por um lado traz costumes da cultura da imigração italiana, por outro, apresenta as pontes humanas possíveis na modernidade. Reconhecemos nesta obra a troca de experiências femininas que carregam tanto a força da tradição quanto a liberdade da mudança.

A autora, que foi durante muitos anos professora de literatura, pesquisadora da produção sul-rio-grandense, brasileira, latino-americana, popular e oral, demonstra com seu trabalho em Uma fresta no sótão o quanto os recortes literários presentes podem contribuir para construir a trama e sua simbologia. José Clemente Pozenato é citado como epígrafe, com seu poema “Enigma do embuçado”, oferecendo uma grande lição para se gratificar com a vida, sem valorizar demasiadamente o sofrimento, inerente a ela, pois afirma que “a vida gasta, mas basta”.
Já a menção a Vitor Ramil contribui para relativizar a duração do tempo, quando uma das personagens faz uma viagem inusitada. E Cortázar é realmente inspirador para a linha adotada no romance, pois com Rayuela, traduzido no Brasil como O jogo da amarelinha, motiva a tessitura caleidoscópica proposta pela autora ao leitor, que pode se deliciar com a montagem inventiva dos fragmentos do texto e sentir-se parte de sua construção.

O lançamento de Uma fresta no sótão acontece no dia 6 de novembro durante a 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. Às 15h30, a jornalista Tânia Carvalho entrevista a autora sobre “O prazer da escritura, da leitura e da literatura como forma de reler o mundo”, no Salão de Bridge, no 2º andar do Clube do Comércio (Rua da Praia, 1085). E, às 17h30, haverá sessão de autógrafos na área central da Praça da Alfândega.

A obra pode ser adquirida na Feira do Livro de Porto Alegre, na banca da Libretos (Rua da Praia) e na banca de autógrafos da CRL. Também está disponível em diversas livrarias da cidade e na loja virtual da Libretos (www.libretos.com.br).

Lisana Bertussi

Caxiense, nascida numa primavera, foi pesquisadora de literatura oral e popular, latino-americana, gauchesca e da imigração italiana.

Professora da UCS, UFSM e FAPA, trabalhou em nível de graduação, mestrado e doutorado, sempre buscando passar para os alunos a possibilidade do prazer do texto. Teve passagem de um ano na Equipe de Pareceres do Instituto Estadual do Livro.

Publicou 12 livros. Entre eles, os mais importantes: as duas edições de Literatura gauchesca: do cancioneiro popular à modernidade e as três edições de Causos do boi voador; sua tese de doutorado Poesia gauchesca: as fontes populares e o Romantismo; sua pesquisa de pós-doutorado Tradição, modernidade e regionalidade e o Dicionário biobibliográfico dos escritores da região de colonização italiana no nordeste do Rio Grande do Sul (em coautoria com Salete Rosa Pezzi dos Santos e Cecil Jeanine Alebert Zinani), livro finalista do Prêmio Açorianos.

Tem diversos contos e poemas premiados no Concurso da Prefeitura de Caxias do Sul. Publicou Contendas (contos) e, agora, o romance Uma fresta no sótão. Foi patrona da 32ª Feira do Livro de Caxias do Sul/RS em 2016.



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