Frente fria traz chuva, vento e diminuição do calor no RS

Nos últimos sete dias, a chuva enfraqueceu sobre o Rio Grande do Sul quando comparamos com o ocorrido no segundo decêndio de janeiro. O acumulado ainda passou dos 60 milímetros no extremo oeste do Estado, mas diminuiu para menos de 10mm na Metade Sul, Campanha, Planície Costeira Interna e parte da Região Central. A temperatura voltou a subir e as máximas oscilaram em torno dos 35°C no domingo (27). Na segunda metade da semana, a passagem de uma frente fria traz chuva, vento forte e declínio da temperatura.

A precipitação não será das maiores a não ser na fronteira com o Uruguai, onde esperamos pelo menos 50mm. Entretanto, o vento será intenso, com rajadas acima dos 55 quilômetros por hora, já que há previsão de declínio razoável da temperatura no próximo fim de semana. Máxima de aproximadamente 20°C na fronteira com o Uruguai no sábado (2) e mínima aproximada de 15°C na Campanha no domingo (3).

Chuvas recentes podem comprometer produtividade da soja no Rio Grande do Sul

A semana de umidade e temperaturas elevadas contribuiu para o bom desenvolvimento da soja, que atinge 23% das lavouras em enchimento de grãos, 45% em floração e 32% em desenvolvimento vegetativo. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nessa semana, em geral as plantas apresentam bom desenvolvimento, com aspecto visual de lavoura parelha, camuflando os locais de menor densidade de plantas. Nos locais onde as precipitações foram mais intensas, como nas regiões Sul, Campanha e Fronteira Oeste, o grande volume de chuvas nas últimas semanas afetou as lavouras localizadas em várzeas e em locais próximos aos cursos de água, onde o solo ficou encharcado por muitos dias, comprometendo a produção e a produtividade nesta safra.

Essas regiões atingidas pelas enxurradas representam 18% da área de soja no Estado e os produtores que contrataram seguro agrícola serão acompanhados até o período de colheita para quantificação das perdas e tomada de decisão quanto ao acionamento do seguro.

Nas lavouras no Norte, os produtores de soja estão com problemas para aplicar fungicidas e inseticidas. Os intervalos entre aplicações de fungicidas, próximo a 20 dias, propiciam aumento da incidência da ferrugem asiática e de percevejos. A orientação técnica é de aplicação de fungicida o mais cedo possível, antes do fechamento da soja, com intervalos de reaplicação diminuídos conforme o clima.

A cultura do arroz está nas fases de desenvolvimento vegetativo (62%) e floração (30%), com 8% das lavouras em enchimento de grãos. Nesse período, foi aplicada a adubação de cobertura via aérea, onde é possível o monitoramento do aparecimento de doenças. No Sudoeste e Centro, os altos volumes de chuvas e baixo índice de insolação nos últimos períodos devem causar perdas de produtividade. Os alagamentos e encharcamentos das áreas trarão prejuízo maior nas lavouras do cedo que estavam na fase reprodutiva.

Na Fronteira Noroeste e Missões, regiões mais adiantadas, onde boa parte das lavouras está no início do enchimento de grãos, não devem ser afetadas pelas condições desfavoráveis da semana. A baixa luminosidade e a diminuição das temperaturas geram receio aos produtores de abortamento das panículas em floração, já que a cultura é altamente suscetível a essas condições no início do desenvolvimento reprodutivo.

A cultura do milho apresenta em geral boas condições e expectativa de safra boa. Mais de 30% da área plantada está em fase de enchimento de grãos, 17% estão maduras e outras 17% de área, colhidas. As áreas plantadas mais tarde estão em desenvolvimento vegetativo. A produtividade das lavouras colhidas oscila entre 4 e 9 T/ha. Essa grande variação de potencial produtivo das lavouras deve-se à irregularidade do clima durante o desenvolvimento da cultura, embora o acumulado de precipitações seja maior que os anos anteriores.

Nas regiões Celeiro e Noroeste Colonial, o milho colhido está com umidade um pouco acima do ideal, necessitando maior aporte de calor para secagem. Não foi constatado dano nos grãos devido ao excesso de chuvas.

Na Região Sul, o clima não permitiu os plantios, mas as áreas plantadas estão com muito bom desenvolvimento, apesar do excesso de chuvas estar prejudicando os tratos culturais, como o controle de invasoras e a aplicação da adubação de cobertura. Existe preocupação dos produtores com a perda de nutrientes, pela lixiviação com o volume de chuvas.

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