Gilmar Mendes disse que Operação Lava-Jato criou “estado paralelo” com “projeto de poder”

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes declarou em entrevista nesta segunda-feira (2) para a rádio CBN que a força-tarefa da Operação Lava-Jato criou um “Estado paralelo que integrava um projeto de poder”.

“Há uma frase que diz que o trapezista morre quando pensa que voa”, disse o ministro. “E acho que os trapezistas aqui pensaram que voavam”.

Gilmar Mendes apoia as investigações realizadas pelo The Intercept Brasil e criticou a conduta de membros da Lava-Jato e do ministro da Justiça, Sérgio Moro, antigo juiz responsável pelos processos da operação em Curitiba (PR).

Para ele, “o combate ao crime não pode ser feito cometendo outro crime” e que “precisamos ter muito cuidado com justiçamentos e justiceiros”.

“É preciso separar o que é ‘hackeamento’, crime que pede punição, do conteúdo das mensagens [vazadas]”, afirmou. “E eu acho que isto é um juízo comum, que os órgãos de controle falharam. Isso tem que ser analisado, até para um aprendizado futuro.”

Problemas pessoais de Lula

O ministro ainda falou sobre a reportagem divulgada semana passada pelo UOL em parceria com o The Intercept Brasil de que procuradores da Lava-Jato ironizaram o luto do ex-presidente Lula.

“É interessante que alguém observava que a população se sensibilizou muito que os procuradores tiveram em torno dos enterros dos familiares de Lula, e da falta de sensibilidade moral”, analisou.

“Porque a população entende isto. Talvez não entenda o debate jurídico, que está por trás de todas essas coisas, mas aquilo que ela entende, ela repudia. Ela sabe o que é enterrar um parente, enterrar um neto. E fazer a brincadeira sobre isso mostra uma falta de sensibilidade moral muito grave.”

Os diálogos vazados mostram que procuradores divergiram sobre o pedido de Lula para ir ao enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em janeiro passado — quando o ex-presidente já se encontrava preso — e que temiam manifestações políticas em favor de Lula. Na ocasião, alguns membros da Lava-Jato disseram acreditar que a militância simpatizante de Lula pudesse impedir a volta dele à superintendência da PF (Polícia Federal), em Curitiba.



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