Grupos fazem levantamento sobre falas racistas feitas por autoridades públicas

Ainda na pauta do Dia da Consciência Negra (20), organizações ligadas à luta pela igualdade racial divulgaram na sexta (20) um levantamento que analisa falas racistas feitas por autoridades públicas. Os grupos compartilham os resultados para buscar a penalização dessas pessoas pelos crimes de racismo.

O levantamento feito pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e pela Terra de Direitos mapeou, entre 2019 e 2020, manifestações e declarações racistas emitidas por autoridades públicas, inclusive pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. O objetivo da análise é que sejam tomadas as medidas punitivas necessárias relativas ao crime de racismo que essas autoridades cometeram.

Bolsonaro diz que deputado negro “deu uma queimadinha”. “O Hélio deu uma queimadinha, senão, ele seria a minha cara”, comentou o presidente.

“O que nós vimos em 2019 e 2020 foi aumentar os número de discursos racistas. As autoridades encobrem falando que é liberdade de expressão. Racismo é crime e liberdade de expressão é liberdade de expressão”, esclareceu a co-fundadora da CONAQ, Givânia Silva.

Foram analisadas 49 falas de 22 autoridades. Foi constatado que houve a emissão de conteúdo racista em todos os âmbitos do poder público: em nível federal, estadual e municipal. Cinco tipos de discursos foram apurados: reforço de estereótipos racistas, incitação à restrição de direitos, promoção da supremacia branca, negação do racismo e justificação ou negação da escravidão e do genocídio. Os maiores aumentos são da promoção da supremacia branca e do reforço de estereótipos racistas.

“Combater o racismo não é uma tarefa dos negros, não é uma tarefa dos indígenas, dos ciganos, ou de qualquer outro grupo social marcado pelo pertencimento ético racial. Combater o racismo é uma tarefa sua, minha, é da sociedade”, destacou Givânia.

Os dados levantados podem ser acessados no site do grupo Quilombolas Contra Racistas.

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