Guerra do tráfico: polícia prende acusados de execuções no Jardim Carvalho

Em Porto Alegre, a Polícia Civil cumpriu 16 mandados de prisão contra integrantes de duas facções criminosas. A disputa por pontos de tráfico de drogas na capital motivou uma guerra, que teve 12 homicídios em menos de dois meses.

Nas primeiras horas da manhã dessa última segunda-feira (22), a polícia iniciou a operação para prender 16 indivíduos. Eles são acusados de participarem de uma guerra entre facções. Doze homicídios desde o início do ano estão relacionados com a briga por pontos de tráfico. Seis mortes no bairro Jardim Carvalho ocorreram em menos de 48 horas.

“As pessoas que foram presas hoje são violentas, nós temos informações que havia uma lista de pessoas que iriam morrer, e elas ao longo do tempo foram morrendo. Essa informação chegou nessa investigação com objetivo de enfraquecer a criminalidade no local dos fatos e retomar definitivamente os pontos de droga naquela região”, destacou o delegado Gabriel Bicca.

Um assassinato nos primeiros dias de janeiro chamou atenção da 5ª Delegacia de Homicídios da capital, responsável pela Zona Leste. Outras 11 mortes ocorreram até a última semana. A disputa por pontos de tráfico de drogas na região ocorre desde 2016 e já vitimou dezenas de vidas. Criminosos que se identificavam como ‘crias’ da Vila Ipê recebiam ordens para matar. Esses pedidos eram orquestrados por detentos do Presídio Central. Quem executava as ações era remunerado e ganhava status internamente.

“Estariam dispostos a fazer e praticar essa violência a partir do recebimento do prestígio. Ele integrava o bonde que foi lá e cometeu esse crime violento, porque eles invadiram a área da facção rival, permaneceram lá um momento. Depois voltaram lá no outro dia, permaneceram mais um momento, então isso é uma coisa extremamente arriscada”, disse o delegado.

Armas e drogas foram apreendidas na operação. Os agentes também recolheram celulares de dentro do Presídio Central, que eram usados para definir as execuções. “São esses homicídios, essas guerras que fazem com que as organizações criminosas precisem de mais dinheiro. Então, eles passam a assaltar mais estabelecimentos comerciais e roubos de veículos porque precisam de mais armas e drogas para mostrar esse poderio. O homicídio é fundamental que seja atacado”, afirmou a chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, Nadine Anflor.

Para estancar a sangrenta disputa por pontos de tráfico, a polícia quer passar um recado à sociedade. “O estado não vai admitir este tipo de guerra que geram mortes, causam instabilidade nas comunidades, afetam os trabalhadores que residem nessas comunidades e que causam medo a toda a sociedade. O estado não vai permitir isso, e essa guerra vai parar. Eles vão parar e nós não”, ressaltou a chefe da divisão de homicídios, Vanessa Pitrez.

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