Após mobilização, o Hospital Beneficência Portuguesa terá as suas atividades retomadas a partir de agosto

Foi assinado na manhã desta segunda-feira (9), na sede do Simers (Sindicato Médico do RS), o contrato que representa a retomada das atividades do hospital a partir do dia 1º de agosto. A instituição passa a ser administrada pela Associação Beneficente São Miguel que, desde 2016, é responsável pelo Hospital São Miguel, de Gramado.

No ato de assinatura, o presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, lembrou da intensa campanha realizada pela entidade, com apoio de diferentes setores da sociedade gaúcha. “Não havia mais esperança para o Beneficência, mas não aceitamos e entramos nessa luta. E hoje podemos dizer que vencemos. Conseguimos reverter uma causa tida como perdida”, celebrou o dirigente.

Apesar da comemoração, Argollo ponderou a necessidade de concentrar as forças, a partir de agora, na abertura de leitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “É fundamental que os leitos SUS sejam abertos. Hoje vivemos tempos de guerra. Pacientes ficam amontoados nos corredores dos pronto-atendimentos. É uma luta tão grande quanto a que encerramos hoje”, afirmou.

Em uma coletiva de imprensa, o presidente da Associação Beneficente São Miguel, Rafael França, apresentou detalhes do contrato e confirmou a informação de que a entidade administrará também o Hospital Parque Belém, em Porto Alegre.

Histórico da mobilização

Desde novembro de 2017, o Beneficência corria o risco de fechar suas portas devido a uma grave crise financeira. O Simers, junto com outros setores da sociedade, personalidades e parlamentares, promoveu uma campanha para salvar o Beneficência e garantir a manutenção dos seus 187 leitos.

Já no final de outubro, foi lançada uma campanha pública em prol do Hospital Beneficência Portuguesa, visando engajar a população, lembrando da mobilização dos anos de 1980 para impedir a falência da Santa Casa, com a liderança do arcebispo Dom Vicente Scherer. Personalidades como Luis Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Jorge Furtado e Lauro Quadros emprestaram sua imagem para campanha nos veículos de comunicação e redes sociais.

Em novembro foi realizada uma audiência na Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Porto Alegre para debater a situação do hospital e defender que as soluções dependiam de uma mobilização irrestrita.

No mês seguinte, a Frente Parlamentar de Defesa do Hospital Beneficência Portuguesa foi lançada em cerimônia no MUHM (Museu de História da Medicina do RS), além de ter sido dado início à busca por apoio por parte dos senadores gaúchos.

Em janeiro deste ano a rede Panvel aderiu à campanha, contemplando o hospital com o Troco Amigo, que permite a doação de qualquer quantia do troco das compras de clientes para a instituição.

Mais tarde, em fevereiro, o grupo conquistou mais um apoio para a mobilização: o Ministério da Saúde confirmou que Hospital Sírio-Libanês faria consultoria no Beneficência.

No mês de março o Banco de Alimentos do Estado doou 30 cestas básicas ao grupo de funcionários da instituição, ajudando-a a manter as portas abertas. Além disso, no decorrer da mobilização, a Santa Casa prestou um importante apoio ao fornecer 50 refeições por dia aos funcionários do Beneficência.

Em abril o Sindilei (Sindicato dos Leiloeiros Oficiais) e a Fecomércio RS promoveram um leilão beneficente para arrecadar recursos para a instituição.

O Sírio-Libanês entregou em maio um relatório apontando os caminhos para manter o funcionamento do Hospital Beneficência Portuguesa, e também foi divulgada a existência de uma instituição interessada em assumir a operação plena do hospital.

Finalmente, nesta segunda-feira, foi assinado o contrato que representa a retomada das atividades do Hospital Beneficência Portuguesa.