Os municipários de Porto Alegre aprovaram em assembleia geral a continuidade da greve

Em assembleia geral realizada na tarde desta quarta-feira (8), na Casa do Gaúcho, os municipários da Capital decidiram manter a greve, informou o Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre). A folha de pagamento do mês de julho foi quitada nesta quarta-feira. O depósito do saldo das remunerações totalizou R$ 7,9 milhões, integralizando os salários de 11% das matrículas que faltavam. A primeira parcela da folha de pagamento foi paga no dia 31 de julho. A segunda, no dia 1º de agosto, e a terceira em 3 de agosto.

Relação tensa

Na terça-feira, após um protesto no Paço Municipal, pela manhã, os servidores ocuparam a prefeitura em busca de de negociação com o prefeito Nelson Marchezan Júnior. Segundo o Simpa, o chefe do executivo municipal se nega a receber a categoria para tratar da data-base.

Para terminar com a ocupação, o prefeito solicitou por meio de ofício ao secretário de Segurança do Estado, César Schirmer, a intervenção da Brigada Militar. Foram horas de negociação com a secretária de Segurança, Claudia Crusius, vereadores e representantes da Brigada Militar para tentar uma solução para o impasse.

Os municipários cobravam diálogo sobre o reajuste salarial, que não é concedido desde o ano passado, somando perdas de 6,85%, e sobre os projetos de lei que retiram direitos da categoria. Como não houve acordo, uma nova reunião foi marcada para às 18h30min, também sem sucesso.

Nesse meio tempo, o juiz Vanderlei Deolindo concedeu liminar de reintegração de posse. Como o não cumprimento da decisão no prazo de uma hora resultaria em multa de R$ 200 mil o Simpa optou pela desocupação, no final da noite, temendo uso da força policial, como ocorrido em protesto recente da categoria na Câmara Municipal.

A categoria, informa o Simpa, segue em greve e em luta pela negociação da data-base, contra os PLs e o parcelamento. “O movimento demonstrou a força de mobilização da categoria, escancarou a intransigência e a incapacidade de Marchezan em dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras e unir ainda mais os municipários para enfrentar os ataques [do prefeito]”, avaliou a direção do sindicato.

Em nota, o prefeito criticou o movimento e disse que era um dia triste.

“Hoje [terça] foi um dia triste para Porto Alegre. A direção do Simpa – composta por militantes políticos filiados ao PT, PSOL e PC do B – patrocinou uma invasão truculenta do Paço Municipal, no Centro Histórico da Capital. Nem de longe as duas centenas de militantes partidários, travestidos de sindicalistas, representam os servidores do município”, afirmou o prefeito.

Marchezan criticou relatou a agressão a um servidor da Guarda Municipal e disse que “não negocia com invasores”. O sindicato ainda foi chamado de ultrapassado e teve a postura classificada como “covarde”.

“Um servidor foi agredido. O guarda municipal Ivan Marques de Oliveira recebeu atendimento no HPS, registrou ocorrência policial e passou por exame de corpo de delito no DML. Felizmente, passa bem”, disse o prefeito em nota.

“Este é só um exemplo da postura covarde de um sindicalismo ultrapassado. O governo municipal já discutiu amplamente com a sociedade os projetos estruturantes. Agora, eles estão no local adequado para o debate – a Câmara de Vereadores. A Prefeitura não negocia com invasores. Muito menos com uma minoria radical que não representa a totalidade dos servidores municipais”, finalizou, acrescentando agradecimentos à Brigada Militar.