Leitos de UTI em Porto Alegre estão com 83% de ocupação

A situação de leitos de UTI para pessoas com Covid-19 aqui no Rio Grande do Sul está se agravando, devido a sua alta ocupação. Na capital gaúcha, em menos de 20 dias, o número de pessoas infectadas quase duplicou. Até o fim da tarde de hoje, dos 825 leitos de UTI em Porto Alegre, 683 estavam ocupados.

Em algumas instituições, já não há mais capacidade de atendimento. Apesar da gravidade, muitas pessoas ainda não estão tendo a atenção e os cuidados necessários para prevenção. Até porque dentro da própria família pode-se ter um transmissor da doença.

Apesar de alguns espaços públicos estarem bloqueados, ainda nota-se aglomerações em algumas praças e parques de Porto Alegre. Mesmo com as medidas restritivas impostas pelo poder público, ainda há muitos relatos de festas e encontros clandestinos. O médico infectologista André Machado que trabalha em um hospital aqui da capital, contou como está a situação nas instituições de saúde.

“É um momento onde a gente deve prezar pelo distanciamento, a hora é agora porque nós estamos chegando já no colapso do sistema de saúde, algo que vinha sendo falado há muito tempo, desde o início do isolamento”, esclareceu o infectologista do GHC, André Luiz Machado.

Camila de 32 anos precisou ficar internada oito dias na Unidade de Terapia Intensiva após contrair o novo coronavírus. Em conversa com a TV Pampa, ela disse que apresentou febre, cansaço e muita falta de ar. Na UTI, ela contou com a ajuda de ventilação mecânica para conseguir respirar.

“Antes de me entubarem eu tive medo, achei que ia morrer. As pessoas acham que é só uma gripe, em algumas pessoas é, mas em mim não foi e na minha colega que faleceu também não foi. É uma doença bem grave, silenciosa, hoje tu já está bem e amanhã tu já está mal”, revelou a técnica em enfermagem, Camila Szabo.

Ao contrário da amiga, Camila teve a chance de continuar vivendo, e descobriu um tempo depois estar grávida. Agora, ela vai manter os cuidado com a saúde. Em agosto fará uma tomografia para verificar o estado dos seus pulmões. Outra história também chama atenção e ainda não teve um final feliz é a de uma família que chegou ao total de oito infectados pela Covid-19.

“A sensação de tu não conseguir voltar para casa, ver o teu filho chorando em casa. O meu filho não vê o vô dele mais. Não poder dar um abraço, um beijo, tu não poder dizer para a tua esposa que o teu pai vai sair, tu não pode”, disse o fotógrafo Rodrigo Ziebell.

Rodrigo de 39 anos, a esposa de 38, o filho de 7, o sobrinho de 20 e a sogra de 69 anos, se recuperaram bem da doença. Menos o sogro de 71 anos. Ele permanece internado em estado grave, no Hospital da Brigada Militar, de Porto Alegre. Recomendado pela Organização Mundial da Saúde e adotado por todos os estados no Brasil, o distanciamento social é uma das principais maneiras de conter a proliferação do novo coronavírus.

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