Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de novembro de 2026
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá indicar mais seis nomes para a diretoria do Banco Central até o fim de 2027. Duas cadeiras estão desocupadas desde janeiro, e mais duas indicações poderão ser feitas até fevereiro do próximo ano. Outras duas vagas abrem em 31 de dezembro de 2027.
A possibilidade de mudança do perfil do BC e, portanto, do colegiado do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide o rumo dos juros do país, entrou no radar de participantes do mercado financeiro após a vitória do petista nas eleições.
A principal preocupação é com a possibilidade de o BC passar a ser leniente no combate à inflação para acelerar a queda da taxa básica de juros, a Selic, em meio ao debate interno no governo sobre qual caminho adotar para a política econômica da gestão Lula 4.
Analistas já esperam a retomada com mais força do debate em torno da flexibilização da meta de inflação — hoje em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A partir de 2028, último ano de mandato do presidente Gabriel Galípolo, os seis novos indicados por Lula vão se tornar maioria no colegiado do BC. O grupo é formado por nove cadeiras, incluindo a do chefe da autoridade monetária.
Restariam do atual colegiado apenas os diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta), além do próprio Galípolo. Os mandatos destes três indicados por Lula terminam em 31 de dezembro de 2028.
A depender do perfil dos novos nomes, esse quadro poderia isolar Galípolo no último ano de sua gestão no BC. O chefe da autarquia tem sido alvo de críticas de integrantes do PT e do governo, inclusive da equipe econômica, que o culpam pela alta da dívida pública em decorrência dos juros elevados.
O ministro Dario Durigan reclamou do noticiário sobre o tema nessa terça-feira (3). “Hoje, por exemplo, (saiu) uma matéria ruim dizendo que o Banco Central está pressionado com novas indicações.”
Ele afirmou que as indicações ao BC terão rigor técnico, mas que a equipe econômica ainda não tratou do tema com o presidente. “Vai ser feito com rigor técnico, como sempre foi feito, com diferentes perfis, mas sempre técnicos e os melhores para aquelas posições.”
No terceiro mandato de Lula, houve um racha no Copom que gerou ruídos e levou a questionamentos sobre a credibilidade do BC.
Em 8 de maio de 2024, Galípolo e todos os outros indicados por Lula votaram por uma redução mais acelerada de juros de 0,50 ponto percentual. Pelo placar de 5 votos a 4, prevaleceu o corte menor na Selic, de 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano.
Depois daquele episódio, todas as decisões do colegiado foram unânimes.
Na semana passada, Lula se reuniu com ministros e falou sobre as indicações de nomes que precisam ser feitas ao Senado para autarquias, o que inclui as duas vagas para o BC represadas há quase um ano.
O rumor envolvendo uma possível indicação ao BC do economista de perfil desenvolvimentista André Roncaglia, diretor-executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-colunista da Folha de S.Paulo, mexeu com os preços do mercado financeiro.
Roncaglia disse que ficou surpreso com as reportagens, pois não recebeu qualquer contato da equipe econômica neste sentido e não foi informado de nada. “Não me cabe comentar sobre algo que é prerrogativa do presidente Lula. O que posso dizer é que tenho mantido uma colaboração muito proveitosa com a Fazenda e o BC a partir de minhas atribuições no FMI.” (Com informações da Folha de S.Paulo)