Sábado, 07 de novembro de 2026

Maconha: uso é ligado a maior risco de doenças cardiovasculares, especialmente AVCs

O uso de maconha está ligado a um aumento no risco de doenças cardiovasculares, especialmente de acidentes vasculares cerebrais (AVC), segundo um novo estudo que apresentado nas Sessões Científicas 2026 da Associação Americana do Coração,em Chicago (EUA). A associação foi observada independentemente da forma de consumo, se é pelo fumo ou pelo uso da droga comestível, por exemplo.

A autora do trabalho e professora assistente da divisão de cirurgia cardiotorácica da Faculdade de Medicina da Universidade Tulane, em Nova Orleans, Aabha Divya, explica que, nos últimos anos, diversos artigos têm investigado a relação entre a maconha e um maior risco de problemas no coração.

No entanto, alguns resultados não foram consistentes. Além disso, houve um aumento significativo do consumo a partir da legalização do uso recreativo em partes dos EUA, saindo de 1 a cada 10 pessoas no país, em 2020, para 1 usuário a cada 6 em 2024, uma alta de 51%. Nesse contexto, o objetivo foi ampliar os trabalhos anteriores em busca de uma resposta mais clara.

Para isso, os responsáveis pela pesquisa analisaram dados de 442.906 americanos que participaram do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais, um levantamento por telefone, entre 2020 e 2024. Os voluntários responderam sobre o uso ou não de cannabis e informaram se já haviam sofrido um infarto ou um AVC ou recebido o diagnóstico de doença arterial coronariana.

Os pesquisadores constataram que as pessoas que relataram usar maconha de 1 a 5 dias por mês já apresentavam uma probabilidade 23% maior de ter um histórico de doença cardiovascular em comparação com aquelas que não consumiam a substância. O percentual foi semelhante ao dos que faziam uso frequente, de 16 a 30 dias (21%). Segundo os autores, a associação mais forte foi observada para o AVC, em que o risco chegou a aumentar 40%.

“Ficamos surpresos ao descobrir que a relação entre o uso de cannabis e as doenças cardiovasculares não era simples. Esperávamos que as chances de desenvolver doenças cardíacas aumentassem gradualmente à medida que as pessoas consumissem cannabis com mais frequência, mas não foi isso que aconteceu. Tanto o grupo de baixo consumo quanto o de consumo frequente apresentaram maiores chances de desenvolver doenças cardíacas”, diz Divya em nota.

Para ela, ao passo que o consumo se torna mais frequente, é importante que os profissionais da saúde abordem o risco cardiovascular com os usuários, “assim como fazem em relação ao tabaco, ao álcool e a outras substâncias de uso frequente”.

O presidente do grupo responsável pela elaboração da declaração científica da Associação Americana do Coração sobre cannabis, de 2020, Robert Page, que não participou do estudo, explica que, por ser comum que pessoas que usam cannabis também utilizem tabaco, sempre foi difícil avaliar o efeito sozinho da maconha. Por isso, seus impactos cardiovasculares nunca foram encarados de forma tão relevante.

“Mas este é o segundo estudo observacional a sugerir que a exposição à cannabis (sem o consumo de tabaco) pode ser um potencial fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. De modo geral, a cannabis começa a surgir como um importante fator contribuinte para doenças cardíacas prematuras em adultos jovens e mais velhos, que podem levar a eventos cardiovasculares graves. Nesse sentido, os médicos devem abordar o uso de cannabis com seus pacientes da mesma forma que abordam o consumo de tabaco ao avaliar o risco de doenças cardiovasculares”, defende.

O estudo apresenta limitações por analisar as associações em um único momento, o que significa que não pode comprovar que o uso de cannabis tenha causado as doenças cardíacas. Além disso, baseou-se em informações autorrelatadas pelos participantes, o que torna as informações sujeitas a possíveis erros de memória. Ainda assim, está em linha com a outra publicação mencionada por Page, de 2024.

O trabalho, publicado na revista científica Journal of the American Heart Association, analisou dados de 430 mil adultos americanos, coletados entre 2016 e 2020 por meio do mesmo sistema de vigilância dos EUA. E também encontrou uma relação entre o uso de cannabis e um maior risco de infarto e AVC, mesmo após ajustar os resultados para remover a influência do consumo de tabaco e de outros fatores de risco conhecidos para o coração, como consumo de álcool, índice de massa corporal, diagnóstico de diabetes e prática ou não de atividade física.

Entre aqueles que utilizavam maconha todo dia, o risco de um infarto foi 25% maior, e o de um AVC 42%, quando comparados às pessoas que não faziam uso da cannabis. (Com informações do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Treino de força aos 70 anos é essencial para pernas firmes e autonomia
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play