“Não esperava nada”, disse Lula ao saber da redução da pena no caso do triplex

Por Jornal O Sul

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tinha expectativas em relação ao julgamento que reduziu para 8 anos, 10 meses e 20 dias sua pena no caso do triplex, disse o advogado Emídio de Souza após se encontrar com o petista em Curitiba nesta terça-feira (23). “Ele disse: ‘Eu não esperava nada, porque até agora não tive direito a um julgamento justo’”. Souza falou com a imprensa na frente da sede da PF (Polícia Federal) em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena há um ano. A declaração foi transmitida ao vivo pela internet.

Assim como a militância que acompanhou o julgamento nesta terça-feira, a defesa de Lula evitou celebrar a diminuição da pena, que abre caminho para o cumprimento do restante da pena em regime semiaberto – que permite sair da prisão durante o dia. Os advogados insistem que o ex-presidente é inocente e vítima de um julgamento político. “Ele quer saber onde estão as provas contra ele e quando vai ser julgado não como um cidadão acima da lei, mas também não abaixo dela”, disse Souza.

“O problema não é a redução da pena, é que a pena tinha que ser zero, não tinha que existir”, afirmou Souza. Em Brasília, o advogado Cristiano Zanin lançou mão de argumento parecido e falou que a “a absolvição é o único resultado possível”.

“Votos combinados”

A defesa de Lula também acusou o STJ (Superior Tribunal de Justiça) de “combinar votos” na decisão desta terça-feira. A redução de pena de Lula – de 12 anos e 1 mês para 8 anos, 10 meses e 20 dias –  foi decidida por unanimidade pela quinta turma do STJ nesta terça-feira. “Eles criaram o problema e não sabem como resolver. Inventaram desde lá de trás, desde o PowerPoint inventado pelo [procurador Deltan] Dallagnol, com acusação infundada, seguida pelo [então juiz Sérgio] Moro, depois seguida pelo TRF-4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região] de Porto Alegre e agora seguida também por essa turma do STJ”, destacou Souza.

O advogado também afirmou que, para manter Lula preso, os tribunais podem acelerar a tramitação de outros processos em que Lula é réu – como o caso do sítio de Atibaia. “Apesar da redução, eles podem apressar outros julgamentos que já existem na fila para ser julgados. Então nós não precisamos achar que está resolvido”, afirmou.

No caso do sítio de Atibaia (SP), Lula foi condenado, em primeira instância, a 12 anos e 11 meses de prisão. Essa condenação ainda não entrou na soma do tempo que o ex-presidente precisa cumprir na cadeia. Advogados dizem que, se o recurso apresentado à segunda instância pela defesa de Lula for julgado antes de setembro e o tribunal competente mantiver a condenação, as penas serão somadas e a ida para o semiaberto, adiada.



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