Nelson Teich, ex-ministro da Saúde, concede coletiva sobre sua saída, mas não diz o motivo

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, concedeu entrevista, nesta sexta-feira (15), após pedir demissão do cargo.  Em um discurso breve, de menos de dez minutos, Nelson Teich agradeceu a oportunidade, exaltou o sistema público, mas não disse o motivo de sua saída nem fez críticas ao governo que deixa para trás.

“A vida é feita de escolhas e hoje eu decidi sair”, começou Nelson Teich.

Ao lado de membros da equipe do ministério, Teich agradeceu aos companheiros de trabalho. “Agradeço ao meu time que sempre esteve ao meu lado, tenho a honra de estar ao lado dessas pessoas que trabalham pelo País”, elogiou,

Teich também fez um balanço da sua curta atuação à frente da pasta.

Começou destacando que “não é simples estar à frente de ministério como este num momento difícil”. Mas ressaltou as ações que realizou, como o plano de diretrizes para o distanciamento, o plano de testagem e as medidas de apoios aos locais mais afetados.

“Deixo um plano de trabalho pronto para auxiliar os secretários estaduais e municipais a tentar entender o que está acontecendo e pensar próximos passos. Quais são os pontos que precisam ser avaliados, os pontos críticos para considerar na tomada de decisão”, declarou.

Teich elencou também o programa de testagem, que está “pronto para ser implementado”. “Isso vai ser importante para entender a situação da Covid-19, o que é fundamental para definir estratégias e ações”, acrescentou.

O ex-ministro enfatizou a importância da ida a locais muito afetados pela pandemia. “É fundamental estar na ponta, entender o que acontece no dia a dia, ver o que está sendo feito. Este entendimento foi importante para desenho de ações implementadas em seguida. Cada cidade que a gente vai a gente está melhor preparado para o desafio”, disse.

Ele lembrou que, para além das respostas à pandemia, atuou também em outros temas. “Traçamos aqui um plano estratégico. As ações foram iniciadas e [isso] deve ser seguido. É importante lembrar que durante este período temos foco total na Covid-19, mas temos um sistema que envolve várias outras doenças. Em todo tempo que a gente trabalhou e passou por este momento, todo o sistema é pensado em paralelo.”

Discreto, Teich agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro pela oportunidade. “Foi muito importante para a minha carreira essa experiência no ministério e com o SUS”, relatou o ex-ministro.

O sistema público como um todo foi exaltado por Teich. “Nasci no sistema público, estudei e me formei em escolas e universidades públicas”, disse durante a coletiva.

O agora ex-ministro afirmou, no final, que havia aceitado o ministério não pelo cargo, mas porque achou que podia contribuir. “Aceitei porque achei que poderia ajudar o Brasil e ajudar as pessoas”, finalizou, sem dizer a razão de sua saída.

Havia divergências entre ele e o presidente Jair Bolsonaro sobre temas como o distanciamento social e o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19. Recentemente, o então ministro soube pela imprensa de um decreto que ampliava os setores considerados essenciais, com a inclusão de academias, barbearias e salões de beleza. Na oportunidade era visível o seu constrangimento e surpresa.

Até o momento da coletiva não havia um novo nome confirmado, nem o presidente se manifestou sobre o caso.

Eduardo Pazuello, secretário executivo do Ministério da Saúde, responde pela pasta até ser definido o novo titular.

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