Neste domingo, os candidatos ao governo do Estado estiveram na Rádio Pampa para apresentar suas propostas

A Rádio Pampa recebeu neste domingo todos os candidatos ao governo do Estado, assim como seus vices, ao longo do dia, para entrevistas ao vivo, com 15 minutos de participação, cada um. Cada candidato teve a oportunidade de abordar sobre suas propostas de governo.

Para a diretora artística e de produção da Pampa, Marjana Vargas, as entrevistas deste domingo foram mais uma oportunidade do eleitor conhecer o que cada candidato ao governo do Estado propõe para os próximos anos. As entrevistas culminaram com a cobertura da TV e Rádio Pampa ao longo do período eleitoral, com um programa excepcionalmente ao vivo neste domingo, contando com a participação de todos os comentaristas de política da empresa, como Flávio Pereira, Armando Burd, Gustavo Victorino e Marne Barcelos, que se revezaram ao longo do dia, contribuindo com suas experiências profissionais na área.

“Ao longo da campanha política, todos os candidatos ao cargo de governador do Estado participaram do programa de TV Pampa Debates, apresentado por Paulo Sérgio Pinto, ao longo de uma hora de programa, para que pudessem mais do que abordar suas propostas, mas aprofundar seus programas de governo”, destacou Marjana, reforçando a cobertura isenta e democrática dos veículos de comunicação da Rede Pampa.

Entrevistas

O primeiro candidato a conceder entrevista nos estúdios Pampa foi José Ivo Sartori (PMDB). O atual governador do Estado, que busca ser o primeiro governador reeleito do Rio Grande do Sul, destacou que seu grande projeto para a próxima gestão é assinar a adesão ao RRF (Regime de Recuperação Fiscal), apontado como uma solução para equilibrar as contas gaúchas.

A proposta possibilita a suspensão por três anos, sendo prorrogáveis por mais três anos, do pagamento da dívida com a União e a autorização para novos financiamentos.

Conforme o Tesouro Nacional, o RRF foi criado para fornecer aos Estados com grave desequilíbrio financeiro os  instrumentos para o ajuste de suas contas. Dessa forma, ele complementa e fortalece a Lei de Responsabilidade Fiscal, que não trazia até então previsão para o tratamento dessas situações.

De acordo com o RRF, o desequilíbrio financeiro é considerado grave quando a receita corrente líquida (RCL) anual do Estado é menor do que a dívida consolidada ao final do último exercício; o somatório das suas despesas com pessoal, juros e amortizações seja igual ou maior que 70% da RCL e o valor total de obrigações seja superior às disponibilidades de caixa. Só poderá aderir ao RRF o Estado que cumprir esses três requisitos de entrada.

O candidato a vice de Sartori e atual vice-governador José Paulo Dornelles Cairoli disse que o Regime de Recuperação Fiscal dará ao Estado a possibilidade de voltar a investir. Ele apontou que observa as atuais propostas dos candidatos como promessas inócuas, sem consistência. Segundo ele, para concretizar sonhos, são necessários recursos.

A proposta de uma assinatura do pré-acordo de recuperação fiscal foi criticada por outros candidatos, como Miguel Rossetto (PT), que destacou durante entrevista concedida a Flávio Pereira e Nando Donel, ter um projeto de governo de oposição ao atual modelo de gestão. Conforme destacou o candidato ao governo do Estado pelo PT, sua prioridade como chefe de governo, será pagar o salário do funcionalismo público em dia.

Rossetto também fez críticas ao candidato a presidente pelo PSL Jair Bolsonaro e ressaltou que já tem uma reunião marcada em Brasília com Fernando Haddad no dia 2 de janeiro, apostando em sua eleição e também na do candidato à presidência pelo PT. A ideia é debater soluções para o Rio Grande do Sul.

A vice de Rossetto, Ana Afonso, durante sua entrevista, destacou a importância do fomento à geração de emprego no Estado, exemplificando o polo naval, com foco em Rio Grande, que tinha 24 mil postos de trabalho, segundo ela, e hoje possui 400 empregos.

O candidato do PSDB, Eduardo Leite, destacou em sua entrevista que não acredita em reeleição, dizendo que apesar de ter obtido 80% de aprovação de seu governo em Pelotas, na Região Sul do Estado, decidiu não concorrer à reeleição. Para ele, é importante a oxigenação do governo. Uma reeleição, segundo ele, pode transformar a gestão do Estado em um balcão de negócios para poder conquistar apoios e, muitas vezes, significa precarização da estrutura do governo. Ele acredita da importância de se  formar novas lideranças, assim como fez com sua vice-prefeita  Paula Mascarenhas, atual prefeita de Pelotas.

Leite ainda destacou que pretende fugir da polarização política, buscando sempre a melhor negociação para enfrentar a crise do Estado. Defendeu a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e privatizações de estatais deficitárias e indicou que seu grande projeto será na área de infraestrutura rodoviária, buscando parcerias com a iniciativa privada.

O vice de Eduardo Leite, Delegado Ranolfo (PTB) destacou que usará sua experiência para reduzir criminalidade no Estado. Ele é delegado desde 1998 e foi chefe de polícia do Estado entre 2011 e 2014.

Roberto Robaina, candidato a governador do Estado pelo PSOL, disse que seu plano de governo combaterá a sonegação fiscal, destacando que o rombo no caixa do Rio Grande do Sul é de R$ 8 bilhões. Ele indicou que com, ao menos 20% desse valor, poderá investir mais em educação e na construção de 100 mil casas populares. Combater privilégios e desigualdade de gênero são outros pontos que devem compor sua eventual gestão.

A vice de Robaina, Camila Goulart (PSOL), em entrevista a Armando Burd e Paula Cardoso, abordou a importância de políticas públicas para mulheres, como combater o feminicídio, e defendeu o debate nas escolas sobre usos contraceptivos. Para ela, é preciso informar a juventude para dar a liberdade de escolha.

O candidato pelo PDT, Jairo Jorge, ressaltou que visitou todos os 497 municípios gaúchos em 16 meses para conhecer o Estado e poder apresentar propostas e soluções. Segundo ele, para fazer o Rio Grande do sul voltar a crescer é necessário menos burocracia e menos impostos. Ele propõe um fundo para a educação, vindo de da lucratividade do Banrisul, principalmente.

Para reduzir as despesas do Estado, Jairo Jorge propõe reduzir o número de secretarias – no governo do PT eram 27, atualmente são 17 – para 10 secretarias. A medida economizaria R$ 400 milhões ao ano, segundo ele.

À tarde os candidatos Julio Flores (PSTU) e Mateus Bandeira (Novo) também conversaram com Armando Burd e Paula Cardoso.

Para Julio Flores, o momento pede “rebelião”. Segundo o candidato, o capitalismo já não oferece mais as condições para o trabalhador, e é preciso gerar empregos, a partir de uma reforma agrária profunda, obras públicas, além de redução da jornada de trabalho, sem redução de salários. Ele também propõe o não pagamento da dívida com o governo federal e o fim das isenções fiscais, além de conselhos populares que substituam instituições que considera podres, como a Assembleia Legislativa.

Mateus Bandeira afirmou que o Estado foi perdulário e que foram mais de 40 anos com despesas maiores que as receitas, e que por isso o próximo governador vai encontrar um rombo maior, além de haver mais parcelamento de salários. Segundo ele, a saída é resgatar o princípio da austeridade fiscal, pois não há bala de prata nem coelho na cartola. Também se posicionou contra o aumento de impostos, mesmo que temporários, e a favor de privatizações, como no caso da CEEE.











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