Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de outubro de 2026
Eleito por margem apertada, em uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve montar um ministério que concilie a busca por apoio no Congresso com a preparação de sua sucessão na esquerda. Com 81 anos recém-completos e impedido de disputar a eleição de 2030, o presidente deverá encerrar sua trajetória eleitoral após sete disputas presidenciais.
Com um Congresso de maioria oposicionista, Lula precisará ampliar o espaço de partidos de centro na Esplanada para garantir governabilidade. Ao mesmo tempo, aliados defendem que ministérios estratégicos sejam ocupados por nomes próximos ao presidente, capazes de ganhar projeção nacional. Lula também prometeu um novo modelo de governo, com participação popular, e pretende aproveitar as mobilizações de rua do segundo turno para pressionar o Legislativo.
Camilo Santana
O senador Camilo Santana, ex-ministro da Educação, ganhou espaço após ser apontado como um dos responsáveis pela virada eleitoral. Antes cotado para a Casa Civil, Fernando Haddad perdeu força diante da atuação de Camilo na coordenação da campanha no segundo turno. Aliados defendem que o senador amplie sua projeção nacional e se consolide como possível sucessor de Lula.
Haddad, apesar da derrota na disputa pelo governo de São Paulo, coordenou a campanha no maior colégio eleitoral do País e mantém proximidade com o presidente. Entretanto, não pretende voltar aos ministérios da Fazenda ou da Educação e considera retomar as aulas na Universidade de São Paulo (USP), ficando fora do governo.
Outro nome em ascensão é Guilherme Boulos, deputado federal que não disputou a reeleição para permanecer à frente da Secretaria-Geral da Presidência. Com interlocução junto a movimentos sociais, ele ganhou espaço no núcleo político do Planalto e pode assumir uma pasta de maior projeção.
Negociações
No terceiro mandato, Lula distribuiu ministérios a partidos como PP, União Brasil, MDB, PSD e Republicanos para ampliar a base governista, mas a relação com o Legislativo teve altos e baixos. Agora, o presidente deve trabalhar pela recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) às presidências da Câmara e do Senado. Ambos podem influenciar a composição da nova equipe.
A Esplanada poderá incluir representantes de partidos que apoiaram formalmente Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas mantiveram relações com Lula, especialmente alas do MDB e do PSD e lideranças nordestinas do Republicanos, PP e União Brasil.
Fazenda
A escolha do ministro da Fazenda permanece em aberto. Uma ala defende a permanência de Dario Durigan, atual titular da pasta, que assumiu o cargo após a saída de Haddad. Outra possibilidade é Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, próximo de Lula e com boa interlocução no Congresso. A nomeação poderia dar maior autonomia à Fazenda em relação à Casa Civil.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também é citado como alternativa, em uma sinalização de prioridade ao controle de gastos e ao equilíbrio fiscal.
Entre os nomes que podem permanecer na Esplanada, ainda que em outras funções, estão Esther Dweck, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos; Leonardo Barchini, da Educação; e Fernanda Machiaveli, do Desenvolvimento Agrário.
Lula também poderá acomodar aliados como Gleisi Hoffmann, derrotada na disputa pelo Senado, e José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais que permaneceu no governo a pedido do presidente e não concorreu nas eleições.
Segurança pública e infraestrutura
Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança, ainda pendente no Senado. Um dos nomes cotados é Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Integrantes do PT, porém, não descartam a escolha de alguém com maior projeção nacional.
Na infraestrutura, Renan Filho, atual ministro dos Transportes, poderá retornar ao governo em uma função de destaque. Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil e responsável pela coordenação do Novo PAC, também é cotado para uma pasta ligada à execução de projetos e ao acompanhamento de obras.
A primeira-dama Janja deverá participar das discussões sobre as indicações para os ministérios das Mulheres, da Cultura e da Igualdade Racial, além da composição do gabinete presidencial.
A montagem da equipe deverá refletir, portanto, dois objetivos centrais: ampliar a sustentação política no Congresso e fortalecer lideranças capazes de manter a influência do PT e de Lula na esquerda após 2030. (Com informações do jornal O Globo)