O caminhão envolvido no acidente de helicóptero que matou o jornalista Ricardo Boechat é de uma transportadora gaúcha

O caminhão-baú envolvido no acidente de helicóptero que, nesta segunda-feira (11), matou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci pertence a uma transportadora da cidade de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o Scania de placas IVT 0137 é da empresa Rápido ABC Transportes, com sede no bairro São Cristóvão.

Informações do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil dão conta de que o motorista do veículo, João Adroaldo Tomanchesk, 50 anos, aparentemente sofreu apenas escoriações, mas passou mal na delegacia da Polícia Civil onde iria prestar depoimento e foi levado a um hospital.

Deu tempo de contar a investigadores e jornalistas que ele estava sozinho no momento do acidente e recém havia deixado uma carga de farinha de trigo na cidade de Cajamar, na Grande São Paulo. Um gerente de logística da transportadora (que tem filiais em Curitiba e Paraná), enviado ao local para prestar apoio ao motorista, confirmou as informações prestadas pelo empregado, que havia saído de Caxias do Sul no último sábado.

“Eu vinha tranquilamente, concentrado no trânsito, e do nada caiu uma coisa lá do céu em cima da minha cabeça”, contou Tomanchesk em entrevista a repórteres. “Foi aquele estrondo e fiquei sem ver e nem saber o que tinha acontecido. Só percebi realmente depois que eu estava fora do caminhão. A estrada tava ‘limpa’ e o helicóptero veio de cima pra baixo, não veio de frente para mim. Tenho 31 anos de profissão e nunca me envolvi em acidente.”

Acidente

O acidente aconteceu no quilômetro 7 da Rodovia Anhanguera por volta do meio-dia. Na tentativa de fazer uma aterrissagem de forma emergencial, o piloto conseguiu parar no acesso ao Rodoanel com a rodovia Anhanguera, mas o helicóptero explodiu ao ser atingido pela dianteira do caminhão, que havia acabado de passar pelo pedágio. Os corpos do jornalista e do piloto foram encontrados carbonizados.

A aeronave era um Bell Helicopter, prefixo PT-HPG, fabricado em 1975. Com capacidade para um tripulante e quatro passageiros. Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) declarou que estavam regulares as autorizações da aeronave e licenças do piloto Ronaldo Quattrucci, 56 anos. Sócio da “RQ Serviços Aéreos Especializados”, ele havia perdido um irmão em um acidente com o mesmo tipo de veículo em  1998.

A empresa de Quatrucci, no entanto, não tinha autorização para realizar transporte remunerado de passageiros, mas apenas trabalhos de aerofotografia, aerofilmagem e aero-reportagem. No ano passado, a RQ foi multada em R$ 8 mil por um processo aberto em 2011 pela própria Anac. A agência já confirmou que abrirá um procedimento administrativo para apurar o tipo de serviço realizado no momento do acidente.

Despedida

Ricardo Boechat retornava para a capital paulista após participar de um evento para funcionários de uma empresa farmacêutica em Campinas (SP), a cerca de 100 quilômetros. Antes do evento ele apresentou o seu tradicional comentário diário na rádio BandNews FM e, por uma infeliz coincidência, o assunto foram as recentes tragédias ocorridas no Brasil, como o incêndio que matou dez atletas das categorias de base do Flamengo.

Iniciado às 22h no MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo, o velório do jornalista prossegue até as 14h desta terça-feira, com visitação aberta ao público. Em seguida, será realizada uma cerimônia de cremação, em local não divulgado e com presença restrita à família.



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