O comandante máximo do Exército Brasileiro, general Villas Bôas, faz balanço da gestão e reitera que “o Exército vai se manter como instituição apolítica, cumprindo sua missão, como vem sendo feito em outros governos”

O general de Exército do Exército Brasileiro, Villas Bôas, após quatro anos de gestão deixa o cargo, como é praxe na instituição. O nome de seu sucessor ainda não está definido, o critério vem sendo por antiguidade, mas quem deverá definir é o presidente eleito, Jair Bosonaro, ao lado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, anunciado nas últimas horas.

Villas Bôas reuniu a imprensa, na sede do Comando Militar Sul, no C entro Histórico de Porto Alegre, na manhã desta quarta-feira (14) para traçar um balanço do período. Ele considera positiva a indicação por parte do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de militares para compor ministérios, como por exemplo o do general Heleno na GSI (Gabinete de Segurança Institucional), lembrando que muitos também foram eleitos como deputados em âmbito estadual e federal. “É importante que isto não seja entendido como uma volta dos militares ao poder. O Exército vai se manter como instituição apolítica, cumprindo sua missão, como vem sendo feito em outros governos”.

O general afirma que “algo novo surgiu, a esperança de que o presidente eleito consiga unir a nação, com pacificação. É importante esta convergência para esta pacificação com um olhar para a frente”. Segundo ele, o Brasil precisa disso.

O comandante máximo do Exército Brasileiro, Villas Bôas, esteve na última terça-feira (13) também em Curitiba, reunido com militares da ativa e reserva e diz que isso integra seu estilo de gestão, aproximando a equipe, mas desta vez, também a visita teve um tom de despedida.

O general lembrou que no ano em que assumiu a pasta, em 2015, houve o impeachment da presidente Dilma Rousseff, ocasião em que o Exército foi muito questionado sobre intervenção militar. Em 2017, uma pesquisa apontou que cerca de 45% da população considerava oportuna um tipo de intervenção. “Quando a sociedade apela para as Forças Armadas é porque há uma insatisfação, mas nunca interpretei isto como questão ideológica era uma insatisfação com relação aos valores e carências da própria sociedade”. O que importa hoje, na visão de Villas Bôas, é a garantia da estabilidade, da democracia, com respeito à constituição. “Somos protagonistas silenciosos” deste cenário.

O general mencionou ainda questões voltadas à Amazônia e considera que a preservação da área se vale de “um caminho incorreto”, que hoje acontece “na base da proibição”. Para ele, o processo deveria passar pelo desenvolvimento, “oferecendo alternativas para a população” e citou o exemplo da Zona Franca de Manaus, que perdeu competitividade. “O caminho para preservar a Amazônia é o desenvolvimento. Estamos na contramão disso”.

Ele também avaliou a Reforma da Previdência e reforçou que os militares também precisarão dar sua cota de sacrifício, embora considere algumas peculiaridades da carreira, que poderão ser descaracterizadas se houver padronização com os civis, como limites de horas trabalhadas, adicional de insalubridade, adicional noturno, entre outros itens, que hoje não contemplam a categoria. “Tudo isto terá que ser discutido em um pacote mais amplo”. (Clarisse Ledur)

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