ONG faz censo da população em situação de rua em Porto Alegre

Cerca de 150 voluntários estão fazendo um novo censo da população em situação de rua em Porto Alegre. Segundo a ONG que organiza a ação, o número pode ter dobrado desde 2016, quando foi feita a última pesquisa.

Há quatro anos, um levantamento da Fundação de Assistência Social e Cidadania junto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul apontou 2.115 adultos em situação de rua na capital. Neste mês de dezembro, um novo censo está sendo feito pela ONG Centro Social. A coordenadora da instituição, Letícia Andrade, estima que o número tenha crescido consideravelmente em relação aos últimos dados coletados.

“A gente tem notado um crescimento de 20 a 30%, então a gente estima que tenha aproximadamente quatro mil pessoas em situação de rua em Porto Alegre atualmente”, relatou a coordenadora da ONG Centro Social da Rua, Letícia Duarte.

Ainda segundo a coordenadora, o cenário da pandemia do novo coronavírus contribuiu para agravar a situação financeira de pessoas já vulneráveis, que acabaram indo para a rua em razão da falta de renda.

“O censo vem também para isso, uma das perguntas vai ser se teve Covid, se conhece quem teve, como foi o processo. A gente notou muito esse crescimento porque muita gente por exemplo, que vivia de um subemprego ou aquela pessoa que entregava papelzinho no centro da cidade que ganhava um dia para a noite dormir em um hotelzinho. Essa pessoa não trabalha mais. Então, ela não tem mais o dinheiro para pagar o hotelzinho de R$ 20 na Voluntário da Pátria, daí ela vai para a rua. Os informais conseguiam sobreviver trabalhando no dia a dia da cidade, o cuidador de carro, e tudo isso perdeu esse emprego e foi para a rua mesmo”, esclareceu Letícia.

A ONG deve percorrer todos os bairros da capital. Serão 150 voluntários na ação e 34 membros da equipe do Jornal Boca de Rua, que serão remunerados para ajudarem no levantamento e atuarem como guias pela cidade. Além de participarem da contagem e de responderem a um questionário, as pessoas em situação de rua também vão receber um kit de higiene, com pasta e escova de dentes, cortador de unhas e barbeador.

“Uma das coisas que é importante a gente salientar é que as pessoas quando elas vão para a rua não é por opção para muitas delas, é a questão de que qualquer pessoa para alugar um barraco tem que ter CPF, identidade, tem que ter um trabalho em geral de carteira assinada, coisa muito difícil para quem já passou por um problema. Muitas pessoas já são oriundas de famílias problemáticas, passaram por muitos problemas de drogas, enfim, tem uma série de situações que levam as pessoas para a rua. Então, quando tu tem ideia de quem são essas pessoas, o que a gente pode fazer de verdade para propor políticas públicas para mudar a situação delas”, disse a coordenadora da ONG Centro Social da Rua.

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