Operação Miragem: detento utilizava senha de policial militar para conseguir acesso à informações sigilosas da segurança pública

Na manhã desta quinta-feira (1º) foi deflagrada operação da Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar, para desarticular uma organização criminosa investigada por roubo e furto de veículos, além de arrombamentos e explosões de caixas eletrônicos.

Com acesso por meio de login e senha de um policial militar, o sistema Consultas Integradas, banco de dados mais importante dos órgãos de segurança pública do Estado, foi utilizado por, ao menos, um criminoso de dentro do Presídio Central de Porto Alegre. O Consultas Integradas reúne informações de todas as pessoas que possuem carteira de identidade, além de dados sobre endereços, condutores e proprietário de veículos, criminosos, ocorrências e sobre quem visita quem nas cadeias.

Em uma cela do Presídio Central, Kelvin Willian Merserburger Ferreira, o Sekão, consultava no banco de dados a identificação de veículos, endereços de potenciais vítimas, de integrantes de facções adversárias e de pessoas ligadas a eles, a existência de inquéritos e de processos judiciais e relatos de policiais e testemunhas em ocorrências em que seu grupo estivesse envolvido.

A polícia solicitou auditorias no Consultas Integradas para verificar tudo que foi acessado a partir da senha do policial militar investigado, que teria usado o sistema por cerca de 30 dias. A senha, que dava acesso irrestrito ao banco de dados, foi bloqueada a pedido da polícia no mês de fevereiro.

Ao todo, estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão temporária. As ações estão sendo realizadas em Porto Alegre, Cachoeirinha, Canoas e São Leopoldo. Entre os locais alvos de buscas na manhã desta quinta estão celas do Presídio Central, da Penitenciária Estadual de Canoas e da Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos. A polícia também tenta capturar Kelvin, que saiu da prisão em abril para aguardar a colocação de tornozeleira eletrônica. Ele havia sido preso em flagrante por receptação e tem uma condenação de cinco anos e quatro meses por roubo de veículo.

O grupo monitorava ainda ações da Brigada Militar (BM) usando rádios na mesma frequência da utilizada pela polícia. Assim, os criminosos sabiam quando era dado alerta sobre um carro roubado por eles.

Até as 8h, dez pessoas haviam sido presas.

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