Domingo, 01 de novembro de 2026

Os desafios de Tarcísio de Freitas para virar liderança nacional em 2030

Com a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após o resultado das eleições, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ganha força como liderança da direita e já admite haver uma “possibilidade” de disputar a Presidência em 2030, mas que isso será avaliado “em grupo, e não sozinho”. Nos bastidores, integrantes do campo começam a discutir a opção, mas apontam desafios no caminho do governador, como a relação com o bolsonarismo e a articulação de pautas nacionais.

Além disso, o próprio Tarcísio falou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que uma candidatura nacional seria consequência de “terminar bem o segundo mandato” de governador, o que envolve entregar ou ao menos avançar em grandes projetos, cumprir promessas e apresentar melhorias em temas caros aos paulistas, como a segurança pública.

Na carta em que se autodeclarou “presidente eleito” e, posteriormente, “líder do Brasil”, Flávio diz que vai comandar a oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva do exterior, e que nos próximos dias vai apresentar uma “estratégia” de mobilização. Mas aliados de Tarcísio e de Flávio admitem que, com o senador fora do país, abre-se uma janela de oportunidade para outros nomes se destacarem — o governador de São Paulo e a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) entre eles.

Problemas de Tarcísio

– Equilibrar a relação com o bolsonarismo: Tarcísio precisa administrar a relação com Jair Bolsonaro e sua família sem abrir mão de construir um projeto político próprio. O desafio é evitar o rótulo de traidor ou oportunista, diante das críticas à possibilidade de uma candidatura presidencial.
– Construir uma identidade política própria: O governador terá que demonstrar que pode liderar a direita para além do bolsonarismo. Isso significa definir posições próprias, inclusive diante de questionamentos à democracia, e se diferenciar de setores mais radicalizados.
– Dar projeção nacional à sua liderança: Tarcísio precisará deixar de ser visto apenas como um gestor estadual e ganhar protagonismo no debate nacional. Uma das possibilidades é articular uma oposição organizada ao governo Lula no Congresso.
– Entregar resultados em São Paulo: O desempenho no segundo mandato será decisivo para suas ambições presidenciais. Tarcísio precisará avançar em projetos de grande porte, além de demonstrar que consegue cumprir promessas e melhorar os serviços públicos.
– Melhorar índices de segurança pública: O tema será um teste importante para a gestão. Apesar da redução de alguns indicadores criminais, o governo enfrenta problemas relacionados à violência contra a mulher e a denúncias de abusos e corrupção envolvendo policiais.

Um correligionário afirma que Tarcísio precisaria de “diálogo e acordo com a família Bolsonaro” para evitar ser rotulado de traidor ou oportunista. Em mais de uma ocasião, o governador foi criticado por bolsonaristas por se posicionar de maneira diversa de integrantes da família.

Desta vez, menos de 24 horas após a entrevista em que admitiu a possibilidade de concorrer, ele passou a ser bombardeado com comentários negativos em suas redes sociais de apoiadores bolsonaristas, foi alvo de críticas de influenciadores de direita e mesmo uma ala do PL já começou a mirá-lo.

Em São Paulo, porém, mesmo os mais próximos de Jair e Flávio se colocam a favor de Tarcísio e alguns até foram a público defender o governador. Na sexta-feira, o ex-secretário estadual da Agricultura Guilherme Piai, que deixou a gestão no fim do ano passado e tentou se eleger deputado com o apoio de Flávio, publicou um vídeo em seu Instagram defendendo a “lealdade de Tarcísio” e afirmando que ele resistiu “às pressões do Centrão” para concorrer à Presidência em nome do alinhamento com a família Bolsonaro.

O governador, dizem aliados, não fará nada sem a bênção de Jair Bolsonaro, a quem sempre mostrou gratidão publicamente e também nos bastidores, pois foi o ex-presidente que o alçou à política em 2022, quando foi lançado candidato ao Palácio dos Bandeirantes e saiu vencedor.

 

 

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