Os Estados Unidos acusam o Talibã de barrar afegãos que querem sair do país

Grupo extremista que tomou o poder no domingo (15) montou postos de controle na entrada do aeroporto internacional de Cabul. (Foto: Reprodução)

Os Estados Unidos acusaram nesta quinta-feira (19) o Talibã de manter postos de controle ao redor do aeroporto internacional de Cabul e impedir a saída de afegãos que desejam abandonar o país. O governo americano pediu uma passagem livre no local.

Milhares de pessoas estão tentando fugir do Afeganistão desde que o grupo extremista tomou a capital Cabul e voltou ao poder no domingo (15), após 20 anos, com uma ofensiva militar relâmpago de apenas 10 dias que surpreendeu o mundo. Vídeos mostram pessoas desesperadas tentando pular o muro do aeroporto internacional Hamid Karzai, algumas com a ajuda de tropas americanas.

Em um deles, filmado na terça-feira (17), uma criança é entregue por uma mulher a soldados que estão em uma escada. Em outro, uma criança, um homem e uma mulher pendurados no muro tentam argumentar com soldados.

Na segunda-feira (16), cenas de caos e mortes foram registradas no aeroporto, durante a tentativa desesperada de fuga de estrangeiros e afegãos do país. Milhares de pessoas invadiram a pista, e algumas tentaram entrar em aviões estacionados e se agarraram a aeronaves prestes a decolar. Vídeos mostram o que seriam pessoas caindo do céu após a decolagem de um cargueiro americano.

Apesar do esforço do Talibã de tentar se mostrar diferente desta vez, os afegãos recordam a forma como o grupo extremista governou o país entre 1996 e 2001 e não confiam nas promessas de moderação feitas nos últimos dias.

Na época, o Talibã adotou uma visão extremamente rigorosa da lei islâmica (a sharia), impondo restrições sobretudo às mulheres, que eram impedidas de trabalhar e estudar. As visões islâmicas ultraconservadoras incluíam apedrejamentos, amputações e até execuções públicas.

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