Para o ministro Luís Roberto Barroso, “vivemos uma onda de revitalização do Brasil, uma travessia dura, que nos conduzirá a um país ético”. Ele participou das comemorações em Porto Alegre dos 70 anos do Estado de Israel

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, esteve em Porto Alegre nesta segunda-feira (19), participando das comemorações que marcam os 70 anos do Estado de Israel, a convite da FIRS (Federação Israelita do RS), presidida por Zalmir Chwartzmann. O encontro ganhou palco na Sociedade Germânia, na presença de autoridades e lideranças setoriais.

Luís Roberto Barroso, antes de traçar um panorama sobre o atual cenário brasileiro, fez referências as suas origens judaicas. “Tenho muito orgulho de minhas origens”, salientou. Em seguida, afirmou “que o Brasil vive uma tempestade ética, política e econômica”. Uma combinação de coisas adversas, que passam pela corrupção, desemprego e uma onde de negatividade que segundo ele, não pegou. “Vivemos uma onda de revitalização do Brasil, uma travessia dura, que nos conduzirá a um país ético”.

Ele fez menção aos 30 anos da Constituição e disse que é hora de o Brasil comemorar estabilidade institucional, conquistada ao longo destes anos, estabilidade monetária e responsabilidade fiscal, além da inclusão social, privilegiando entre 30 e 40 milhões de pessoas que deixaram de viver na pobreza extrema, obtendo maiores renda, escolaridade e expectativa de vida.

O que andou mal no País neste período? Na visão do ministro, “todas as pessoas trazem o bem e o mal em si e o processo democrático é civilizado, é para potencializar o bem, mas o sistema político brasileiro extrai o pior das pessoas. O problema está no sistema e não das pessoas. Se existe uma quantidade de coisas erradas é porque o sistema é errado. Tem que haver mudanças que facilitem a governabilidade. Existe um descolamento entre classe política e sociedade civil. É preciso requalificar a política”.

Barroso citou o nível de violência do País, com 63 mil homicídios em 2017, número maior do que apontados em países em guerra e maior do que na guerra da Síria no mesmo período. É preciso, segundo ele, a implantação de uma política antidrogas e citou o Rio de Janeiro, como sendo “uma cidade devastada, com uma política que não dá certo”.

A corrupção também entrou na pauta do encontro e o ministro afirmou que “é estrutural e sistêmica, produto de esquemas profissionais de arrecadação e desvios de dinheiro público, envolvendo empresas, membros do Congresso, do Legislativo, a ponto de as pessoas terem perdido o sentido do que estavam fazendo”. O que tem de bom neste cenário? Segundo ele, “a reação da sociedade brasileira que deixou de aceitar o inaceitável, uma sociedade com demanda por seriedade, por patriotismo, com uma energia que comanda a história, de baixo para cima”. Ele reitera que “existe um processo histórico de evolução ética acontecendo no Brasil”.

Barroso, no entanto vê pela frente alguns obstáculos. Um deles passa pelo forte pensamento progressista, em que as pessoas acham ainda que os fins justificam os meios, com a corrupção drenando recursos e criando uma situação pervertida entre Estado e cidadãos, gerando desconfiança. Outro obstáculo, segundo ele, é o forte pensamento conservador, onde alguns consideram que a corrupção pior é a dos outros. Finalmente, Barroso cita os corruptos, propriamente ditos, “pessoas que não querem ser punidas, os que não querem se tornar honestos nem daqui para a frente”. O ministro foi enfático ao finalizar sua explanação, dizendo ainda que “o processo é histórico, lento e plural, mas precisamos substituir o pacto oligárquico por um pacto de integridade”.

Ele citou ainda que o capítulo mais importante da vida brasileira chama-se educação. “Educação aqui é o discurso, não é prioridade”. Ele espera a indicação de um grande nome para ocupar o ministério da Educação no novo Governo, “um nome blindado da política e que não tenha um projeto apenas para os próximos quatro anos”. É preciso um projeto de longo prazo a fim de priorizar a alfabetização no tempo certo, evitar a evasão escolar no ensino médio e reduzir o déficite de aprendizagem.(Clarisse Ledur)





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