Sábado, 31 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de outubro de 2026
A bancada do PL e senadores da oposição de outros partidos rejeitam um acordo para apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) como presidente do Senado. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro vai lançar na próxima semana, a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência da Casa. O PL terá 28 senadores a partir de fevereiro do ano que vem, mais de um terço das 81 cadeiras do Senado.
Parlamentares da legenda vão se reunir na próxima semana para bater o martelo sobre a candidatura de Marinho, que já recebeu o aval de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, e de seu irmão, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC).
Ex-ministra de Jair Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também tenta se viabilizar como candidata. Apesar da disputa interna, o discurso entre integrantes da oposição é que os diferentes grupos devem chegar à reta final da eleição com apenas um nome para enfrentar Alcolumbre.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), defende que a oposição aproveite o tamanho da bancada eleita para ampliar sua influência na Casa e tentar alterar a relação entre o Congresso e o Judiciário. “Hora de unidade. Se amarrar direitinho, seremos fortes. Mais uma batalha. Incessante. Há chance de recuperar o mínimo equilíbrio entre os Poderes. Precisamos da maioria”, afirmou.
Como forma de esfriar a articulação da oposição, Alcolumbre tentou construir um acordo que representasse um aceno ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A ideia seria buscar uma negociação entre Congresso, governo e Poder Judiciário para viabilizar uma medida capaz de atenuar a situação do ex-presidente, condenado por liderar uma trama golpista.
Não houve uma proposta fechada, mas foram discutidas alternativas como um indulto presidencial que permitisse a libertação de Bolsonaro, a aprovação de uma anistia ampla pelo Congresso ou a retomada da proposta de redução de penas, atualmente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e sem previsão de análise. Alcolumbre conversou com senadores sobre a articulação, mas não chegou a levar a ideia a Lula.
A tentativa de aproximação, porém, encontrou resistência entre parlamentares da oposição, que questionam tanto a viabilidade das medidas quanto a capacidade de Alcolumbre de garantir que um eventual entendimento seja cumprido. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Bolsonaro, afirmou que o presidente do Senado não teria condições de assegurar uma solução para a situação judicial do ex-presidente. “Alcolumbre não tem condições de oferecer isso”, disse Mourão.
A avaliação é compartilhada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que integrou o governo Bolsonaro como ministra dos Direitos Humanos. Ela rejeitou a possibilidade de vincular o apoio à reeleição do presidente do Senado a uma negociação sobre a situação do ex-presidente. “Não aceito isso. É inviável”, afirmou.
A desconfiança também é alimentada pela experiência da eleição anterior para o comando do Senado. Em 2025, o PL apoiou Alcolumbre na expectativa de conseguir avanços na pauta da anistia, mas viu frustrada a tentativa de aprovar uma medida ampla que beneficiasse Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas.
Entre os parlamentares eleitos, a rejeição à proposta é ainda mais enfática. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que assumirá uma cadeira no Senado em fevereiro, afirmou que um novo apoio a Alcolumbre representaria a repetição de um acordo sem garantias de cumprimento. “Tem que ser muito otário para cair nessa conversa fiada de Alcolumbre. Senador que votar nele não tem compromisso com o resgate da independência e harmonia entre os Poderes”, disse Jordy.
Uma das principais bandeiras da oposição no Senado é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, considerado adversário político pelo bolsonarismo por relatar processos que atingiram Jair Bolsonaro e seus aliados. O desgaste político do magistrado se ampliou após a revelação de conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Apesar da pressão, a avaliação entre integrantes da oposição é de que Alcolumbre não trabalhará pelo afastamento de Moraes, de quem é aliado. A tentativa de aproximação com o bolsonarismo também é interpretada como uma forma de reduzir a pressão sobre o ministro e evitar que a eleição para a presidência do Senado se transforme em uma disputa centrada no confronto com o Supremo. (Com informações do jornal O Globo)