Polícia Civil prende quarto envolvido em sequestro ocorrido em Erechim

Na manhã da última sexta-feira (23) a Polícia Civil gaúcha deu mais detalhes sobre a operação de resgate de Tamires Gemelli Mignoni, a médica sequestrada em Erechim. A ação coordenada pelas autoridades gaúchas foi considerada um sucesso e contou com apoio de quase 100 policiais.

Na noite de quinta-feira (22) a polícia prendeu uma mulher na cidade de Cantagalo, no Paraná. Ela seria esposa do vigilante, responsável pela autoria do crime, e foi a quarta e última envolvida no caso presa temporariamente. Todos estão em Erechim, no norte gaúcho, onde a médica trabalhava e foi sequestrada. A investigação agora aponta que a esposa do vigilante e o taxista que transportou Tamires não teriam tido participação no crime e devem ser liberados.

“Se afasta ali esses indícios. Eles serão colocados em liberdade e ao que tudo indica por nós, especialmente pela delegacia de roubo, não serão indiciados por esta prática criminosa”, explicou o delegado João Paulo de Abreu.

A dona de casa que cuidou do cativeiro e o vigilante que orquestrou o crime seguirão presos e vão responder por extorsão mediante sequestro. Com o retorno das equipes gaúchas do Paraná, o delegado responsável pelo caso deu detalhes que ainda não haviam sido revelados. O primeiro contato com a família de Tamires foi no sábado, um dia após o sequestro, e desde o início o valor mínimo pedido pelo resgate era de R$ 2 milhões. O interesse dos criminosos era sempre negociar com o pai da vítima, que é prefeito da cidade de Laranjeiras do Sul, no Paraná.

“O criminoso efetuou uma ligação para o telefone celular do companheiro da vítima de sequestro, ou seja, do marido dela, e ali ele sinaliza que queria falar com o pai dela. Então, ele fala, anota o telefone e pede para o pai dela me ligar. Ele transmitiu a notícia para o sogro que efetua a ligação para os criminosos em uma ligação mais ou menos de três minutos, um pouco mais. E eles dão conta de que realmente estão com ela em cativeiro”, comentou o delegado.

Vigilante planejava sequestro de Tamires há pelo menos dois anos

A polícia chegou até o local do cativeiro após localizar o carro usado pelos criminosos. Era uma residência boa em um bairro nobre de Cantagalo. Tamires estava presa em um cômodo apertado, mas em nenhum momento foi violentada pelos bandidos.

Em uma conversa informal com o sequestrador, a polícia descobriu que o interesse de cometer o crime surgiu ainda em 2018. O vigilante viajou para Erechim, onde Tamires e o marido trabalham, mas acabou não executando o plano de sequestro. Desde aquela época, a única motivação do autor intelectual seria conseguir dinheiro para mudar de vida e abrir um negócio.

“Até os policiais que vieram com ele junto me deram conta de logística, transporte e manutenção, a criação dessa empresa. O artifício empregado por ele é para lavar o dinheiro, dar origem a esse dinheiro que ele talvez conseguiria do pagamento de resgate. Existem familiares que possuem condições financeiras um pouco melhores, mas não seriam bilionárias ao ponto de pouco tempo dispor de uma quantia de valor de resgate nessa linha que nós verificamos que foi exigida”, destacou Abreu.

O sequestro que começou em Erechim e terminou no Paraná durou seis dias e foi um dos mais longos da história recente da polícia gaúcha.

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