Primeiro da América Latina, o Hospital Moinhos de Vento vai adquirir uma nova tecnologia que agiliza o tratamento de AVC

O AVC (Acidente Vascular Cerebral) é a segunda causa de morte no mundo e a primeira causa de incapacidade. Só no Brasil, são 400 mil casos por ano. Sem tratamento, mais de 50% dos pacientes ficam dependentes de outras pessoas para atividades diárias, e mais de 70% não voltam a trabalhar. A medicina moderna já possui ferramentas para diminuir índices de mortalidade e sequelas, mas isso exige que o paciente chegue rápido ao hospital para o atendimento.

Para aumentar as chances de pacientes com a doença receberem tratamento de urgência, o HMV (Hospital Moinhos de Vento), de Porto Alegre, será o primeiro da América Latina a adquirir um software com soluções integradas para automatização da avaliação da circulação cerebral, angiotomografia etomografia. Utilizando inteligência artificial, o e-STROKE Suite permite avaliar os casos com maior profundidade, possibilitando que recebam tratamento inclusive aqueles que acordam com sintomas e, na maioria das vezes, não poderiam ser tratados.

Superintendente executivo do HMV, Mohamed Parrini avalia que os avanços tecnológicos devem ter sempre como objetivo o compromisso de cuidar de vidas. “Temos uma preocupação muito grande com a segurança, com a qualidade médico assistencial, com a inovação e com a experiência do paciente. Esse novo avanço coloca o Moinhos de Vento mais uma vez na vanguarda”, destaca.

Para a chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento e vice-presidente da organização mundial do AVC (World StrokeOrganization), Sheila Martins, trata-se de um grande avanço no tratamento da doença, com enorme impacto para a população. “Além de a nova tecnologia aumentar a possibilidade de tratar mais pacientes, diminuindo ou até evitando as sequelas, ela reduz os custos e o tempo do tratamento. Casos especiais que necessitariam de ressonância de urgência agora não vão mais precisar”, explica.

Como funciona

O AVC isquêmico acontece pela obstrução de um vaso sanguíneo do cérebro, que causa falta de sangue, oxigênio e nutrientes. A cada minuto que passa sem a abertura do vaso, dois milhões de neurônios morrem. Portanto, quanto mais rápido o tratamento, maior a chance de recuperação do paciente.

Atualmente, com a avaliação convencional, o tratamento pode ser realizado até 4,5 horas do início dos sintomas com uma medicação utilizada na veia chamada trombolítico, que vai pela circulação até o cérebro e desobstrui o vaso. Em 30% dos casos, quando existe um vaso cerebral muito grande obstruído, é necessário tratamento por cateterismo (chamado trombectomia), que pode ser realizado até 8 horas do início dos sintomas.

“Pacientes que chegavam 20 ou 24 horas depois já eram dados como perdidos. Agora são muitos mais os que conseguimos tratar. É o que vem fazendo toda a diferença no mundo”, destaca Sheila.

Na chegada do paciente ao hospital, o novo software instalado no Moinhos de Vento permite que seja avaliada de forma automática, entre outras funções, a circulação cerebral – o que antes não era possível.

“Com ele, conseguimos detectar a área de cérebro lesada irreversivelmente e a área do cérebro que está em sofrimento, mas ainda pode ser salva se o vaso for rapidamente aberto. Isso permite que mais pacientes recebam tratamento e fiquem sem sequelas”, afirma Sheila.

O sistema é capaz de colorir as regiões do cérebro que foram comprometidas em decorrência do entupimento do vaso sanguíneo. Antes, eram observadas apenas gradações de cinza. O ponto exato onde ocorreu o AVC também é mostrado.

“O software, o mais moderno em utilização no mundo, avalia exames de imagem do cérebro, como tomografia, angiotomografia e perfusão por tomografia, em casos de AVC isquêmico, principalmente”, explica Sheila.

Outros países

O software já está sendo utilizado pela Helsinki Stroke Network (Finlândia), Turku University Hospital (Finlândia), University Hospital Pécs (Hungria) e Lecce Stroke Network Ospedale Vito Fazzi (Itália). Além disso, está em processo de instalação nos hospitais universitários de Sevilla, Granada e Córdoba (Espanha) e no University Hospital Heidelberg (Alemanha).

 



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