Quase 10 milhões de brasileiros devem usar FGTS para pagar dívidas, diz pesquisa

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) divulgada nesta quinta-feira (12) aponta que 9,7 milhões de brasileiros (38%) devem usar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar todas ou pelo menos parte das dívidas pendentes.

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, a liberação dos saques das contas ativas e inativas do FGTS é uma medida importante para aquecer a economia, pois estimulará tanto a recuperação de crédito quanto o consumo de bens. “Esse dinheiro poderá ser utilizado nas obrigações mais urgentes do consumidor, como limpar o nome ou para necessidades do dia a dia. Livre das dívidas, o consumidor poderá retornar ao mercado de crédito, reaquecendo as vendas no varejo. Para quem não está no vermelho, a principal dica é começar uma reserva para imprevistos. Outra que pode ser válida, é aproveitar o dinheiro extra para antecipar o pagamento de contas não atrasadas, caso haja algum desconto”, analisa Pellizzaro Junior.

O FGTS é uma poupança compulsória à qual tem direito todos os trabalhadores contratados pelo regime CLT, assim como trabalhadores rurais. Mensalmente, o empregador deposita diretamente em nome do trabalhador o equivalente a 8% do seu salário.

Nem todos vão sacar

Cada contribuinte tem direito ao saque de até R$500 por conta, ativa ou inativas. Segundo a pesquisa, 45% dos beneficiários pretendem realizar o saque. Outros 43% não têm interesse de fazê-lo neste momento, enquanto 12% ainda não decidiram.

Entre quem decidiu não sacar o dinheiro, 60% preferem deixar o dinheiro guardado no caso de demissão e 30% consideram o limite de R$500 muito baixo para o saque valer a pena.

Há ainda 19% de entrevistados que preferem deixar o dinheiro à espera da aposentadoria e 6% que querem evitar a burocracia e as longas filas nas agências bancárias para realizar a retirada.

Em 2017, quando o Governo Federal liberou os saques apenas das contas inativas, 57% dos beneficiários fizeram o resgate, sendo que 18% usaram o dinheiro para contas do dia a dia, 16% no pagamento de dívidas em atraso e 12% para realizar compras. Já 11% guardaram ou pouparam o dinheiro extra.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa foi feita com 800 consumidores de ambos os sexos, todas as classes sociais e acima de 18 anos em 12 capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém), que somam aproximadamente 80% da população brasileira. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

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