Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de outubro de 2026

Em um país onde o acesso ao livro ainda reflete desigualdades sociais e territoriais, as bibliotecas comunitárias têm ampliado sua relevância como espaços de formação de leitores e promoção da cultura. Organizadas dentro das próprias comunidades, essas iniciativas vêm ocupando um papel que extrapola a oferta de acervos, transformando-se em centros de convivência, educação e participação social. É essa experiência construída nas periferias gaúchas que a Beabah! – Rede de Bibliotecas Comunitárias do Rio Grande do Sul levará à 72ª Feira do Livro de Porto Alegre.
A rede participará da programação com duas atividades voltadas tanto à valorização de sua trajetória quanto à discussão sobre o futuro das políticas de leitura no Brasil. No dia 2 de novembro, às 16h, ocorre o lançamento do segundo volume de Beabah! Percorrendo Territórios e Escrevendo Histórias. Já em 4 de novembro, às 17h30, será realizada a mesa de debates Mobiliza PNLL: O Plano Nacional do Livro e Leitura na prática das Bibliotecas Comunitárias gaúchas.
O lançamento do livro apresenta um panorama do trabalho desenvolvido pelas 15 bibliotecas comunitárias que integram a rede. A publicação reúne relatos de leitores, mediadores de leitura e integrantes das bibliotecas, além de reflexões sobre a importância desses espaços em regiões onde a oferta de equipamentos culturais frequentemente é limitada. Ao registrar experiências construídas nos territórios, a obra destaca a contribuição das bibliotecas comunitárias para a ampliação do acesso à literatura e para a formação de novos leitores.
Nos últimos anos, as bibliotecas comunitárias passaram a ocupar um lugar crescente nas discussões sobre democratização da leitura. Criadas e mantidas por organizações sociais, coletivos culturais e moradores, elas têm atuado em áreas onde o acesso aos livros nem sempre acompanha as necessidades da população. Além do empréstimo de obras, promovem clubes de leitura, oficinas, rodas de conversa, contações de histórias e atividades culturais voltadas a públicos de diferentes idades.
A presença da Beabah! na Feira do Livro também coloca em evidência o debate sobre a efetividade das políticas públicas de leitura. A mesa dedicada ao Plano Nacional do Livro e Leitura pretende discutir como as diretrizes nacionais chegam aos territórios e de que forma as bibliotecas comunitárias contribuem para transformar objetivos previstos em políticas públicas em ações concretas.
A atividade reunirá profissionais e estudantes dos segmentos do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas para refletir sobre os desafios da formação de leitores em um cenário de desigualdades educacionais e culturais. O encontro pretende abordar experiências desenvolvidas nas comunidades e seu potencial para ampliar o alcance das políticas voltadas ao setor.
Para a articuladora da Beabah!, Viviane Peixoto, a participação na Feira representa uma oportunidade de inserir as experiências das bibliotecas comunitárias em uma discussão mais ampla sobre o acesso à leitura. “As bibliotecas comunitárias desenvolvem um trabalho cotidiano de aproximação entre as pessoas, os livros e a leitura. Estar em um espaço como a Feira do Livro de Porto Alegre nos permite compartilhar essas experiências e fortalecer o diálogo sobre políticas públicas que reconheçam e apoiem as iniciativas que já acontecem nos territórios”, afirma.
Criada em 2008, a Beabah! atua pela democratização do acesso ao livro, à leitura, à cultura e à educação em comunidades periféricas gaúchas. Atualmente, a rede reúne 15 bibliotecas comunitárias em cinco municípios do Estado e integra a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), além de outras articulações voltadas à promoção da leitura e da cidadania cultural.
Mais do que uma participação na programação da Feira do Livro, a presença da Beabah! evidencia o espaço conquistado pelas bibliotecas comunitárias no debate público sobre leitura. Em um contexto de busca por políticas mais inclusivas para o setor, essas iniciativas reforçam a percepção de que a formação de leitores não acontece apenas nas escolas ou grandes instituições culturais, mas também nos territórios onde comunidades organizadas transformam o livro em instrumento de acesso ao conhecimento, participação social e desenvolvimento humano. (Por Gisele Flores)