“Se constituiu uma associação criminosa”, aponta MP do RS em investigação contra a gestão de Vitório Piffero

“Se constituiu uma associação criminosa”, aponta MP do RS em investigação contra a gestão de Vitório Piffero

Em entrevista coletiva, o Ministério Público do RS deu detalhes da operação deflagrada nesta quinta-feira, que apura a apropriação e desvio de valores do Inter durante a gestão de Vitório Piffero. Durante a manhã, foram cumprindos 20 mandados de busca e apreensão em para a investigação de crimes de apropriação indébita, estelionato, organização criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro durante a gestão 2015/2016. Além de Piferro, Pedro Antonio Affatato, Alexandre Silveira Limeira, Emídio Marques Ferreira, Marcelo Domingues de Freitas e Castro, Carlos Capparelli Pellegrini, também são alvos da operação que investiga ainda, as condutas de empresários de futebol, além de pessoas vinculadas a empresas de construção civil, de turismo e de contabilidade.

Durante o pronunciamento, o subprocurador Geral de Justiça do RS, Marcelo Dornelles, afirmou que os atos se constituem em uma associação criminosa: “Se constituiu uma associação criminosa em todos os braços do Clube. E, claro, com a gerência do ex-presidente (Vitório Piffero)”.

Conforme as investigações, as suspeitas acerca da atuação de Vitorio Piffero, presidente do Inter no biênio 2015/2016, dizem respeito a sua condição de gestor principal e de efetiva participação em todos os setores do clube, com pleno domínio de todos os fatos praticados pelos demais dirigentes. Para o MP, ele tinha o efetivo domínio dos acontecimentos, especialmente aqueles relacionados aos adiantamentos tomados por Pedro Affatato e às negociações de atletas realizadas por Carlos Pellegrini.

De acordo com o MP, a principal fonte de fraudes e desvios patrocinados contra o Inter ocorreu por meio da retirada de valores em espécie da tesouraria do clube pelo vice-presidente de Finanças à época, Pedro Affatato, aos quais eram alegados serem utilizados para o pagamento de obras para empresas de construção civil e prestação de serviços, os chamados adiantamentos. Cerca de R$ 10 milhões entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, foram retirados diretamente por Affatato que, depois, eram comprovados por meio de notas fiscais emitidas a título de obras que não foram realizadas, embora atestadas por Emídio Marques Ferreira, ou foram superfaturadas.

Segundo análise técnica realizada pelo Ministério Público, de 165 notas analisadas, oriundas de nove empresas, pelo menos 94% revelaram obras não executadas, executadas parcialmente ou com sobrepreço. Foi demonstrado que, logo depois da retirada de valores a título de adiantamento, houve depósitos de valores idênticos para uma empresa do próprio Affatato.

Entre as obras pagas e não realizadas, estão o Centro de Treinamento de Guaíba, que, de acordo com vistoria feita durante a investigação, nunca foram prestadas. Mesmo depois de alterada a forma de pagamento das supostas obras, a partir de fevereiro de 2016, o MP apurou que parte dos valores destinados às prestadoras de serviços de construção civil era posteriormente transferida para empresas relacionadas a Pedro Antonio Affatato e Emídio Marques Ferreira.

Affatato também é apontado por receber valores de agência de turismo, como contrapartida ao superfaturamento na prestação de serviços de turismo ao Inter.

Na investigação, o MP descobriu que negociações e renovações com atletas que normalmente não seriam realizadas, pelo menos nos patamares econômicos constatados, foram efetivadas por Carlos Pellegrini, que atuou como diretor e vice-presidente de futebol, mediante prévio ou posterior repasse de valores. Logo depois de algumas negociações serem concluídas, os empresários dos atletas efetuavam, como recompensa, repasses financeiros ao dirigente. Em outras oportunidades, os empresários adiantavam valores a Pellegrini, para, em seguida, concluir os negócios envolvendo atletas por eles agenciados.

 “Havia um pagamento por fora, comprovado em alguns casos, entre empresários e o dirigente (Carlos Pellegrini). Muitas vezes antes da contratação”,explicou o promotor de Justiça, Flávio Duarte.

Marcelo Castro, que exerceu a função de vice-presidente Jurídico entre janeiro e agosto de 2015, é apontado por receber parte de valores oriundos de acordos trabalhistas firmados com atletas, além de outros negócios relacionados ao clube, por meio de triangulações de depósitos que envolveram diversas empresas utilizadas por ele para possível lavagem de dinheiro. Uma dessas empresas também realizou depósitos para Limeira, Pellegrini e Piffero, alguns antes mesmo de assumirem a gestão.

Quanto ao vice-presidente de Administração na gestão, Alexandre Limeira, foi apurado que, por intermédio de uma empresa em seu nome, atuou como operador financeiro do grupo, como intermediário de valores posteriormente repassados, desde antes da gestão, para Vitorio Piffero e Carlos Pellegrini, vinculados à atuação de um empresário envolvido, logo no início da gestão, na contratação de um atleta pelo clube. Também foi destinatário de valores provenientes de Marcelo Castro. “Ele (Alexandre Limeira) era sócio-proprietário de uma das empresas que participava das triangulações financeiras”, afirmou o promotor Flávio Duarte.

Conforme o promotor de Justiça, Flávio Duarte, alguns jogadores já prestaram depoimento, mas os nomes não serão divulgados, por não haver indícios de que os atletas tinham conhecimento da relação entre os empresários e o clube.

Conforme o órgão, agora haverá uma analise no material que foi encontrado durante a busca e apreensão, desta manhã. “A condenação pode resultar em uma reparação dos danos, é uma hipótese de uma eventual ação penal. No âmbito civil, acho que o Sport Club Internacional já se movimenta para tentar ter esse dano reparado”, destacou Flávio Duarte, promotor de Justiça.

 

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