Terça-feira, 03 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de fevereiro de 2026
As doenças neurológicas abrangem um conjunto amplo e complexo de condições. Neurologistas lidam desde acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e distúrbios convulsivos até doenças neurodegenerativas, alterações do movimento, problemas musculares, dores de cabeça e distúrbios do sono.
Essa diversidade faz com que muitos sintomas sejam confundidos com desconfortos passageiros ou efeitos do envelhecimento, o que pode atrasar diagnósticos importantes. “Se houver algum nervo afetado, um neurologista pode intervir. E existem nervos por todo o corpo. Muitas coisas podem dar errado no sistema nervoso, e pode ser necessário bastante trabalho de investigação para descobrir o problema”, afirma Andrew Dorsch, chefe da divisão de neurologia geral do Rush University Health System.
Com base na experiência clínica, quatro neurologistas apontaram 11 sinais que nunca devem ser ignorados.
Visão dupla em um dos olhos
A visão dupla unilateral costuma ser subestimada, mas pode estar associada à esclerose múltipla, AVC, aneurismas, miastenia grave, tumores ou infecções cerebrais, explica Luis Cruz-Saavedra, do Memorial Hermann Health System. “Se a visão dupla surgir de forma repentina, trata-se de uma emergência”, afirma. Nesses casos, são indicados exames neurológicos e oftalmológicos, além de tomografia ou ressonância magnética.
Fraqueza em uma mão ou perna
Arrastar uma perna, mancar ou ter dificuldade para segurar objetos pode indicar problemas neurológicos relevantes. Segundo Cruz-Saavedra, muitos pacientes ignoram esses sinais por meses. A causa pode variar de um nervo comprimido a AVC, tumores ou esclerose múltipla, exigindo avaliação neurológica completa.
Falta temporária de resposta
Períodos breves de ausência, com perda momentânea da noção do tempo, podem estar relacionados a crises epilépticas do lobo temporal. Familiares costumam relatar episódios em que a pessoa “fica olhando fixamente” e depois retorna ao normal sem lembrar do ocorrido.
Alterações na fala
Dificuldade para articular palavras, falar lentamente ou não compreender o que é dito são sinais clássicos de AVC e exigem atendimento imediato. “Muitas pessoas optam por esperar para ver se melhora, o que pode ser fatal”, alerta Enrique Leira, da Universidade de Iowa.
Dor de cabeça súbita
Uma dor de cabeça extremamente intensa e repentina, especialmente durante atividade física, pode estar relacionada a AVC. Segundo Leira, esse tipo de sintoma deve ser avaliado com urgência.
Dormência em pés ou dedos
Dormência persistente indica falha na transmissão dos sinais nervosos. “Diferentemente do formigamento, a dormência exige investigação”, explica Dorsch. As causas vão de diabetes a doenças autoimunes ou genéticas.
Sensação recorrente de déjà vu
Embora comum de forma esporádica, episódios frequentes de déjà vu podem indicar crises epilépticas do lobo temporal. “Se ocorre regularmente, é motivo para procurar um médico”, afirma Dorsch.
Dificuldade frequente para levantar-se
Problemas recorrentes para se levantar de uma cadeira não devem ser atribuídos apenas à idade. A dificuldade pode estar associada a doenças como Parkinson, ELA ou alterações na medula espinhal.
Mudanças na voz
Voz muito baixa pode indicar Parkinson; fala arrastada pode ser sinal de AVC. Já a chamada “disartria úmida”, quando a voz soa gorgolejante, pode estar ligada à perda de controle da musculatura da garganta, observada em doenças neurológicas degenerativas.
Espasmos musculares persistentes
Contrações frequentes no mesmo local podem ser fasciculações visíveis sob a pele. Embora muitas vezes benignas, também podem estar associadas a condições mais graves, como ELA ou neuropatias, exigindo exames específicos.
Paranoia e mudanças abruptas de personalidade
Alterações repentinas de comportamento, como paranoia injustificada, hipersexualidade ou retraimento extremo, podem estar relacionadas à encefalite autoimune ou a formas específicas de demência. Mudanças opostas no padrão habitual de personalidade também devem ser investigadas.