Sábado, 27 de novembro de 2021

2021 marca o centenário do descobrimento da insulina, medicamento que já salvou milhões de vidas

O ano de 2021 celebra o centenário do descobrimento da insulina, medicamento que salvou milhões de vidas. Para se ter uma ideia dessa importância, dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) apontam que cerca de 460 milhões de pessoas viviam com a doença em 2019, número que deve subir a 700 milhões até 2045.

“Trata-se de uma doença crônica e com prevalência muito alta no País”, lamenta a endocrinologista Erika Miyamoto Fortes, gerente médica da empresa de saúde Novo Nordisk. A estimativa é de que a condição atinja mais de 17 milhões de brasileiros.

“A doença se caracteriza pela redução dos níveis de insulina ou uma resistência à ação desse hormônio, o que acaba promovendo um excesso de glicose no sangue”, sintetiza a médica. Isso porque a insulina, produzida no pâncreas, funciona como uma espécie de chave que libera a entrada da glicose nas células, gerando a energia necessária para o funcionamento do organismo.

Tanto no diabetes tipo 1, mais comum em crianças e adolescentes, quanto no tipo 2, mais frequente em adultos (veja no quadro), há elevação dos níveis de glicose, que cronicamente podem desencadear uma série de complicações. “Infarto e acidente vascular cerebral, o AVC, por exemplo, são uma das principais causas de morte em pessoas com diabetes”, alerta Erika Fortes. “São temidos também os problemas renais, além de perda de visão e amputações.”

Para alertar sobre a importância da busca por diagnóstico, assim como de prevenção e tratamento da doença, a IDF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituíram o Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro. “No caso do diabetes tipo 1, é importante ficar atento a sintomas como aumento de sede e vontade de urinar. Outro sinal é o emagrecimento, embora a pessoa coma bastante”, descreve a endocrinologista.

Foram justamente as idas constantes ao banheiro para fazer xixi e os goles incessantes de água que levaram a catarinense Flavia Mosimann a desconfiar, depois de pesquisar por conta própria, que seu filho Christian, hoje com 11 anos, tinha a doença. “O diagnóstico se confirmou quando ele estava prestes a completar 6 anos”, conta.

“Optamos por avaliá-lo em São Paulo, onde precisou ficar internado por uma semana. Foi um baque mas felizmente tivemos acesso a orientações com médicos, nutricionistas e psicólogos, o que nos ajudou a entender que, com tratamento adequado, ele teria uma vida normal”, relembra. “Ele é piloto de kart, desde os 7 anos dirige um carro de corrida a 90 quilômetros por hora.”

Novas tecnologias

“O diabetes tem várias faces”, pondera Erika Fortes. Alguns controlam só com dieta e atividade física, outros com comprimidos. Há aqueles que precisam associar medicamentos ou aplicar doses diárias de insulina.

Atualmente, aparelhos que medem a glicose sem precisar furar o dedo, novos medicamentos e novas formas de aplicar a insulina, os avanços da medicina trazem cada vez mais qualidade de vida aos diagnosticados com a doença.

É o caso da chamada “caneta da saúde”, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e que veio facilitar a rotina das pessoas com diabetes. “Quem decide sobre o uso da insulina e faz a prescrição exigida pelo SUS é o médico que acompanha o caso”, explica Erika Fortes.

No SUS, a caneta é ofertada preferencialmente a crianças e adolescentes com idade a partir de 19 anos e adultos com com 50 anos ou mais. O dispositivo vem pré-preenchido, proporcionando maior simplicidade à aplicação da insulina. Ao terminar o conteúdo, é só descartar em coletores fornecidos pelas unidades básicas de saúde.

Além da comodidade, uma vez que dispensa seringa, frasco e isopor para transportar, a precisão nas doses é uma das principais vantagens do novo dispositivo. A endocrinologista acrescenta:

“Estudos que compararam o uso da caneta e da seringa mostram que, mesmo entre profissionais de saúde treinados, a certeza de que a dose precisa será administrada é maior com a caneta. É algo fundamental para a criança, dá autonomia para ela mesma aplicar. Traz leveza para o dia a dia. Meu filho aprendeu a usar ainda no hospital e nunca reclamou de dor ao aplicar”.

Também para os mais idosos, o visor que mostra claramente as unidades de insulina evita erros que podem levar à hipoglicemia – quando a quantidade do hormônio injetado é maior do que a necessária, derrubando de forma abrupta os níveis de glicose e levando a quadros como suor frio, tremores e até desmaios.

“A precisão da dosagem contribui para diminuir as idas ao hospital e as internações associadas a esses episódios, além de melhorar o controle glicêmico como um todo”, conclui Erika Fortes.

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