Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

2026: Do Alerta ao Impacto

O que muda de 2025 para 2026? A resposta é direta: a crise climática deixa de ser episódica e passa a ser estrutural. Se em 2025 tivemos sinais claros de alerta, agora o impacto é consolidado. Os custos econômicos se multiplicam em áreas como energia, construção civil, alimentos, gestão pública e saúde.

Estados e empresas entram em uma zona de responsabilização inédita, e a adaptação climática passa a ser prioridade orçamentária. Sustentabilidade, antes vista como discurso, transforma-se em planejamento e compliance obrigatórios.

A velocidade da crise climática é maior do que a capacidade institucional de resposta. Quem não se adapta paga mais caro. Essa é a nova lógica que rege o mundo em 2026.

Um marco importante nesse processo foi a aprovação da Lei Federal nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Trata-se de uma legislação que altera o Código Florestal e outras normas, criando mecanismos de mercado para regular emissões e responsabilizar empresas. Com o passar dos anos, sua implantação será gradual, mas inevitável.

O impacto sobre as empresas será profundo. Não apenas pela necessidade de reduzir emissões, mas também pela obrigação de comprovar resultados. Isso abrirá espaço para milhares de novos empregos, em áreas como:

• Engenharia ambiental e eficiência energética – para desenvolver soluções técnicas de redução de emissões, resiliência e adaptação aos eventos.
• Gestão de riscos climáticos – profissionais capazes de avaliar impactos e propor estratégias de adaptação.
• Auditoria e compliance verde – especialistas em monitorar e certificar práticas sustentáveis.
• Economia circular e inovação tecnológica – empreendedores e pesquisadores voltados a novos modelos de produção e consumo.
• Comunicação e educação ambiental – profissionais que traduzam a complexidade do tema para a sociedade e para os mercados.

As academias, universidades e entidades de classe terão de se moldar rapidamente. Cursos de graduação e pós-graduação precisarão incluir disciplinas voltadas à transição ecológica.

Programas de capacitação deverão ser mais inclusivos, abrindo espaço para recém-formados, novos empreendedores e profissionais em transição de carreira. O risco é que esse mercado fique concentrado nas mãos de grandes consultorias internacionais. O desafio, portanto, é democratizar o acesso, criando uma economia mais dinâmica e competitiva.

É importante destacar que as mudanças chegaram a todas as atividades econômicas. Agricultura, indústria, comércio, serviços financeiros e tecnologia: nenhum setor está imune. A crise climática e suas exigências regulatórias atravessam toda a cadeia produtiva, exigindo inovação e responsabilidade em cada etapa.

O Brasil tem a oportunidade de liderar esse processo. Se conseguir transformar a transição energética e ecológica em um movimento inclusivo, poderá gerar inovação, empregos e competitividade. Mas isso exige políticas públicas que garantam financiamento para países pobres e para ações ambientais globais, além de mecanismos internos que evitem a concentração de poder econômico.

2026 é o ano em que o discurso se torna prática. Empresas que antes tratavam sustentabilidade como marketing agora precisam provar resultados. Governos que adiavam decisões agora enfrentam pressões orçamentárias. E cidadãos que antes viam a crise climática como distante agora sentem seus efeitos no bolso e na saúde.

O fechamento desta reflexão é otimista. Se de um lado a crise climática nos desafia, de outro ela abre espaço para uma nova economia, mais verde, circular e justa. A Lei 15.042 é apenas o início de uma transformação que pode colocar o Brasil em posição de protagonismo. O futuro não será fácil, mas será fértil em oportunidades.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

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