Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026

2026: Quilos a Mais, Consciência a Mais

Pronto! Estamos dentro de 2026. E, para ser sincero, eu entro neste novo ano com alguns quilos a mais — fruto dos excessos das confraternizações de fim de ano, das sobremesas irresistíveis e dos brindes que se multiplicaram. Enquanto escrevo, sigo rodando pelo Vale do Itajaí e pelo litoral de Santa Catarina, onde a paisagem parece sempre nos lembrar que a vida é feita de ciclos: o mar que vai e volta, os morros que permanecem, e nós, que seguimos tentando encontrar equilíbrio entre permanência e mudança.

Agora o ano já está em plena marcha. As rotinas começam a se reorganizar, os boletos chegam pontualmente, e o fluxo da vida se desenha para mais um ciclo. Como já comentei em outras colunas, não tenho a menor dúvida de que será um ano desafiador. Mas desafio não é sinônimo de pessimismo; é apenas o reconhecimento de que viver exige coragem.

Tenho buscado ficar longe das paixões — sejam esportivas, ideológicas ou de qualquer outro tipo. Paixão é combustível poderoso, mas também pode ser fogo que consome. Ela nos dá energia, entusiasmo e até sentido, mas, quando se transforma em antagonismo, pode nos cegar.

O torcedor apaixonado que não aceita a derrota, o militante que não admite a divergência, o consumidor que não tolera críticas à sua marca favorita: todos são exemplos de como a paixão pode virar intolerância. O equilíbrio, penso eu, está em reconhecer o valor da paixão sem permitir que ela nos escravize.

A leveza é uma palavra que me acompanha. Milan Kundera escreveu sobre a “insustentável leveza do ser”, e Buda nos ensinou que a jornada evolutiva pessoal passa pelo desapego e pela busca de serenidade. Carregar menos pesos — sejam eles rancores, culpas ou expectativas irreais — é uma forma de viver melhor. Mas leveza não significa ausência de compromissos. Ao contrário, é justamente quando temos propósitos claros que conseguimos caminhar com mais tranquilidade.

Todo início de ciclo traz consigo promessas e resoluções. Alguns decidem cuidar mais da saúde, outros planejam viagens, muitos se comprometem a estudar ou trabalhar com mais disciplina. Eu, particularmente, gosto de pensar que cada novo ano é uma oportunidade de alinhar rotinas com valores. Não se trata de mudar tudo, mas de ajustar o que precisa ser ajustado, de dar mais atenção ao que realmente importa.

E o que importa? Para mim, importa continuar defendendo a pauta ambiental. Esta coluna manterá firme a linha da transição energética como um dos principais pontos de reversão dos eventos climáticos. A redução — e quem sabe, um dia, a eliminação — dos gases de efeito estufa provocados por nossas atividades humanas é um objetivo que não pode ser adiado. A economia circular, a economia verde e a defesa de uma transição ecológica justa, com financiamento adequado para países pobres e para ações ambientais globais, são temas que precisam estar no centro das discussões.

Não podemos esquecer que o planeta é de todos. O Vale do Itajaí, o litoral catarinense, a Amazônia, o Saara, os polos gelados — tudo faz parte de uma mesma casa. E se há algo que aprendi ao longo dos anos é que não existe fronteira capaz de nos proteger das mudanças climáticas. O calor extremo, as chuvas intensas, os ventos devastadores não pedem passaporte.

Por isso, ao mesmo tempo em que busco leveza para viver, não posso abrir mão da responsabilidade de pensar coletivamente. A leveza de Buda precisa caminhar junto com a seriedade de quem entende que há compromissos inadiáveis.

2026 começa com humor, com alguns quilos a mais, mas também com consciência renovada. Que este seja um ano em que consigamos equilibrar paixão e razão, leveza e compromisso, rotina e propósito. Que possamos avançar na transição energética, fortalecer a economia verde e circular, e construir uma ecologia justa e inclusiva.

Se os boletos chegam, que chegue também a esperança. Se os desafios se apresentam, que se apresentem também as soluções. E se a vida insiste em nos testar, que nós insistamos em responder com coragem, serenidade e otimismo. Afinal, estamos juntos nesta jornada — e é isso que torna o caminho mais leve.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

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Balanção da vergonha
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