Sábado, 02 de maio de 2026

8 ações caem mais de 15% e só 5 sobem mais de 10%: os destaques da Bolsa brasileira em abril

O Ibovespa fechou o mês de abril quase no “zero a zero”, com leve queda de 0,08%, a 187.318 pontos, após uma sequência de quedas que o distanciou da marca inédita de 200 mil que ensaiou atingir em meados do mês.

Em meio a essa forte volatilidade da Bolsa, algumas ações se destacaram positivamente, como as siderúrgicas, com destaque para Usiminas e Gerdau. Apenas 5 ações subiram mais de 10% no mês: além de Usiminas, Gerdau, Hapvida, Auren e Gerdau Metalúrgica também avançaram pelo menos dois dígitos.

Por outro lado, 8 ações tiveram baixa superior a 15%: duas classes de ações da Cyrela, Cury, Yduqs, MBRF, Suzano, Cogna e Azzas.

Confira os destaques de maiores baixas e altas de abril:

Baixas

* Cyrela e Cury

As ações de incorporadoras voltadas ao segmento de baixa renda recuaram 19,44%, para Cyrella e 18,56%, caso da Cury em abril, acumulando queda próxima de 30% a 40% em relação às máximas recentes. Uma das razões gerais para o recuo seria a deterioração do cenário e ao aumento da aversão ao risco, segundo o Bradesco BBI.

Além disso, a principal notícia que impactou o setor em abril foi a do programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo que, entre outras medidas, permitirá que trabalhadores usem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas.

Para o BBI, o principal problema é visibilidade: a inflação de custos é difícil de projetar e os resultados do 1T26 (primeiro trimestre de 2026) pouco devem esclarecer esse tema. O contexto, desta forma, mantém uma pressão vendedora de curto prazo sobre as ações do setor e mantém os investidores defensivos, como explica o BBI.

* Yduqs e Cogna

Muito correlacionadas com juros, as duas maiores companhias do setor educacional no Ibovespa enfrentaram tempos mais difíceis pelo cenário macroeconômico. No mês, a queda foi de 15,50% para Cogna e 18,04% para Yduqs.

Ainda assim, o JPMorgan considera que a Cogna  deve consolidar um desempenho operacional mais forte do que o da Yduqs ao longo do primeiro trimestre de 2026, amparada por uma captação de alunos mais eficiente nas modalidades presenciais.

* MBRF

O mês da MBRF foi composto de oscilações nos papéis, com notícias sobre potencial futura oferta de ações da divisão Sadia Halal e a venda de 70 milhões de ações pela Saudi Agricultural ‌and Livestock Investment Company (SALIC). A operação fez com que os papéis derrapassem mais de 10% em apenas uma sessão.

Em 15 de abril, a SALIC vendeu ‌na quarta-feira (29) cerca de 70 milhões de ações da produtora ⁠brasileira ‌de alimentos ⁠MBRF, segundo o jornal Valor Econômico, sem fornecer detalhes sobre ​como obteve a informação. No pregão deste dia, a MBRF teve baixa de 10,38%, a R$ 19,60.

* Suzano

Com o real mais forte, a companhia tem passado por um momento de vento contrário. De acordo com o Bradesco BBI, cada variação de US$ 0,10 no real impacta o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual em cerca de 3%.

Apesar do conflito em curso no Oriente Médio exercer pressão de custos e riscos à demanda por celulose, as avaliações atuais já compreendem amplamente esses fatores. O mesmo vale para os riscos de excesso de oferta de celulose com a expansão da produção na China.

* Azzas

Em abril, o grupo de moda Azzas 2154 anunciou que o presidente da unidade de “Fashion & Lifestyle”, Ruy Kameyama, vai deixar a empresa. No dia do anúncio, o grupo varejista de vestuário perdeu mais de 10%.

O papel de Kameyama era particularmente importante dentro do grupo, sendo descrito como a “ponte” entre as duas figuras mais poderosas da Azzas: Alexandre Birman (AR&Co) e Roberto Jatahy (fundador da Soma).

Altas

* Usiminas

A Usiminas viu suas ações como destaque de alta em meio às medidas antidumping e resultados do primeiro trimestre de 2026 considerados positivos e levando a revisões para cima nas projeções da companhia.

Segundo o banco, a surpresa positiva foi impulsionada por desempenho melhor que o esperado em custos e volumes na divisão de aço. A companhia indicou EBITDA estável no negócio de aço para o 2º trimestre, já que preços mais altos devem ser compensados por custos maiores.

Após os resultados, bancos como Morgan Stanley e UBS BB elevaram estimativas e preço-alvo da Usiminas.

* Hapvida

Apesar das previsões desafiadoras para a Hapvida, as ações estiveram entre as maiores altas do mês de abril.

Conforme destacou o Itaú BBA em análise recente, muito aconteceu com a Hapvida nos últimos meses. Após um terceiro trimestre que ficou bem abaixo das expectativas e levou a uma forte deterioração da capitalização de mercado, o quarto trimestre trouxe tendências ainda mais desafiadoras – mas as ações subiram logo em seguida.

Isso porque a família controladora aumentou sua participação na empresa (por meio de trocas de ações), enquanto a gestão passou por uma reestruturação significativa, ao mesmo tempo em que um acionista minoritário pressionou para nomear membros independentes para o conselho.

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