Quarta-feira, 08 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de abril de 2023
Os governos da China e do Brasil avançaram nas últimas semanas na negociação para que comércio e investimentos entre os dois países sejam feitos diretamente entre o real e o yuan, o que exclui o dólar americano das transações. O governo da China já indicou qual banco fará o papel de clearing house, a unidade autorizada a realizar essas transações no Brasil. Esse mecanismo financeiro não existe no País.
Só no ano passado, o comércio entre os dois países somou US$ 150,4 bilhões, nível recorde e 21 vezes maior do que na primeira viagem do petista a Pequim, em 2004. Além disso, o Brasil é o quarto país no mundo onde a China mais investe, respondendo por 5% do total. O país asiático importou US$ 90 bilhões do Brasil e exportou US$ 60 bilhões. As vendas do Brasil para os chineses somaram em 2022 mais do que o total que o País vendeu para os Estados Unidos (US$ 37 bilhões) e para a União Europeia (US$ 50,8 bilhões).
Para Guilherme Casarões, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutor em Ciência Política pela USP, Lula tem um novo desafio em seu terceiro mandato, que é como “navegar num mundo diferente daquele de 20 anos atrás”. “Hoje, Estados Unidos e China disputam a primazia do comércio e da tecnologia em nível global. O Brasil, um país emergente diante do horizonte de um mundo multipolar, precisa se equilibrar entre as duas grandes potências.”
Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV e colunista do Estadão, avaliou, porém, que, mais do que a fala sobre o dólar ou a visita à Huawei, o tema mais sensível da viagem de Lula “é a possibilidade de o Brasil buscar algum tipo de ativismo na negociação de paz da Ucrânia de forma que possa beneficiar a Rússia”.
Moedas locais
Em visita oficial à China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o uso de moedas locais no comércio entre países integrantes do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Ao participar da cerimônia de posse de Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, também chamado de Banco do Brics, Lula questionou o motivo pelo qual as nações precisam do dólar para lastrear seus negócios. Sem se preocupar com eventuais críticas dos EUA, mostrouse alinhado à estratégia do governo chinês que busca reduzir a preponderância do dólar nas transações internacionais.
Nas últimas semanas, Brasil e China avançaram nas negociações para que o comércio e os investimentos entre eles sejam feitos com real e yuan. Uma das ambições declaradas do governo Lula é reformar a governança global.