Terça-feira, 18 de junho de 2024

A espera de Lula, governo federal paralisa nomeações e programas prioritários

Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em recuperação de uma cirurgia no quadril e impossibilitado de atuar no jogo político, o governo petista entrou em compasso de espera e perdeu tração até mesmo em ações considerações prioritárias. A letargia reflete-se tanto nas nomeações para órgãos do Judiciário e instituições de segundo escalão como para programas que são marcas para o Executivo.

Um dos focos da agenda presidencial que saiu do calendário do governo – e não tem data para voltar, por enquanto – são os lançamentos estaduais do chamado Novo PAC, versão repaginada do Programa de Aceleração do Crescimento. A estratégia elaborada pelo Palácio do Planalto previa, por exemplo, a apresentação da política pública em dois terrenos da oposição: São Paulo e Minas Gerais.

No primeiro caso, o evento organizado pelo governo tinha como objetivo colocar no mesmo palanque Lula, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o líder do Psol na Câmara, Guilherme Boulos. Pré-candidatos à prefeitura paulistana, Boulos disputará a eleição municipal com o apoio de Lula, e Nunes busca uma aliança com Tarcísio e com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para 2024.

O evento estava previsto para acontecer em 25 de setembro, mas teve de ser cancelado por conta dos preparativos de Lula para a cirurgia no quadril. Segundo interlocutores, São Paulo é um dos Estados em que Lula faz questão de participar do lançamento do PAC. Com isso, a agenda não tem mais data para acontecer.

O mesmo aconteceu em relação a Minas Gerais, outro Estado estratégico nas disputas eleitorais. A agenda governista trazia a perspectiva de lançamento do PAC no Estado no dia 27 de setembro, mas a data acabou nem sendo confirmada diante do quadro de saúde do presidente. Em Minas, o governo cogitava, por exemplo, isolar o atual governador Romeu Zema (Novo), que ficaria de fora do evento.

Até então, Lula vinha marcando presença nesses tipos de agendas políticas. Em agosto, ele participou da apresentação do PAC em Estados como Rio de Janeiro e Piauí.

Segundo interlocutores, a situação de Lula também paralisou completamente as negociações para a escolha de um novo procurador-geral da República (PGR), cujo cargo está vago desde a saída de Augusto Aras, no mês passado.

Antes de passar pelo procedimento médico no quadril, Lula chegou até mesmo a conversar com alguns candidatos ao posto, mas não teria se “encantado” por nenhum dos postulantes.

Apesar de estar se recuperando bem da cirurgia, o presidente ainda apresenta, segundo interlocutores, bastante inchaço na região dos olhos. Isso porque os médicos aproveitaram para também realizar uma blefaroplastia, indicada para pacientes que têm queda da pálpebra por razões musculares ou decorrente do excesso de pele. Isso estaria impedindo o presidente de, por enquanto, tentar retomar algumas reuniões presenciais com indicados para cargos no Judiciário.

Além disso, os médicos recomendaram que Lula mantenha um isolamento por ao menos mais uma semana. O pedido teria por objetivo evitar que ele seja contaminado com algum vírus ou bactéria que atrase sua melhora progressiva.

Diante desse cenário, também perderam forças as conversas decisivas para que Lula bata o martelo sobre o novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte está com um ministro a menos desde que Rosa Weber se aposentou no fim de setembro. Assim, as especulações sobre a possível escolha do ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), para o posto também enfraqueceram na Esplanada ao longo dos últimos dias.

Além dele, correm por fora os nomes do advogado-geral da União, Jorge Messias, e o do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. Dino passou à frente nessa disputa por ter apoio de ministros do próprio STF. Já Messias continua sendo o preferido pela cúpula do PT.

No segundo escalão, as negociações que esfriaram foram as relativas à escolha do novo presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O órgão está na mira tanto do PSD quanto do Republicanos, dois dos partidos que integram a base aliada do governo no Congresso.

O PSD tem feito pressão pública para que o governo enfim faça a nomeação do ex-vice-governador do Ceará Domingos Filho para dirigir a fundação. Apesar disso, auxiliares do governo admitem que a ausência de Lula travou até mesmo detalhes menores, como a definição sobre a possibilidade de a Funasa ficar atrelada ao Ministério da Saúde ou das Cidades.

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