Domingo, 12 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de abril de 2026
Com o fim da chamada janela partidária, a federação União Progressista – formada pelo União Brasil e pelo PP – e o PL têm, respectivamente, as maiores bancadas da Câmara. Em seguida, está a federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). A janela partidária foi o período entre 5 de março e 3 de abril em que, sob a permissão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os parlamentares puderam mudar de partido sem perder o mandato.
O União Brasil informou ter 51 deputados e o PP, 47 deputados, formando assim a maior bancada enquanto federação União Progressista, com 98 parlamentares. A federação foi formada em 26 de março deste ano e simboliza a força do Centrão na Câmara, com quase um quinto dos deputados da Casa (513 ao todo). O União Brasil e o PP têm ministérios no governo, mas parte de suas bancadas frequentemente diverge do Palácio do Planalto nas votações.
O PL disse que a sua bancada aumentou de 87 para 97 deputados com a janela partidária. Trata-se, portanto, do partido com mais integrantes na Câmara. A legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro era dona da maior bancada, mas perdeu o posto de primeiro lugar após a formação da federação União Progressista.
Já o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou ter mantido 67 deputados na bancada e é o segundo maior partido na Câmara. O PCdoB, parceiro na federação Brasil da Esperança, disse ter saído de nove deputados para dez com a janela partidária. O PV, também integrante da federação, informou que passou de quatro para sete deputados. As legendas somam, portanto, 84 deputados, formando a segunda maior bancada da Câmara enquanto federação.
Apesar de ter a terceira maior bancada, a federação liderada pelo PT precisa mobilizar votos de outros partidos, especialmente no Centrão, para aprovar matérias de interesse do governo na Casa.
Reforma
Criadas pela reforma eleitoral em 2021, as federações atuam como um único partido e, com isso, as siglas que as integram são parte de uma mesma bancada. Também atuam como federações o PSOL com a Rede Sustentabilidade e o PSDB com o Cidadania. A federação atua por pelo menos quatro anos do mandato.
Na Câmara, cada federação tem um só parlamentar na condição de líder, para orientar as votações aos seus membros e falar no plenário pela bancada. Além disso, as federações atuam em unidade na indicação de presidências e de integrantes das comissões.
O PSD, de Gilberto Kassab, disse ter passado de 47 para 49 deputados. Já o Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), declarou ter decrescido de 45 para 43. Por sua vez, o MDB informou ter diminuído o número de integrantes de 40 para 38.
O Podemos declarou ter ganhado 12 deputados e passado de 15 para 27 membros. Trata-se do partido que mais recebeu integrantes. O PSDB também celebrou por ter subido de 15 para 17 deputados. No entanto, o seu parceiro de federação, o Cidadania, disse ter perdido dois deputados e agora só tem outros dois.
O União Brasil, ao perder oito deputados, e o PDT, com sete a menos, são os partidos com as principais baixas. O PDT disse ter passado de 16 deputados para nove. O partido Missão, do Movimento Brasil Livre (MBL), passou a ser representado na Câmara pelo deputado Kim Kataguiri (SP) e tem apenas um integrante.
Dados
Os números consideram somente as informações repassadas pelos próprios partidos. Há algumas divergentes, no entanto, com dados divulgados no site da Câmara dos Deputados. A Câmara comunicou, por exemplo, que o União Brasil tem 44 deputados, em vez de 51, e que o Podemos tem 21 deputados, e não 27.
Os partidos alegam que os deputados ainda estão fornecendo as suas documentações e sendo homologados, por isso a discrepância. A Câmara disse que é comunicada da troca de partido pelo parlamentar e que não há prazo para que essa mudança seja informada.
A soma dos dados a partir das informações fornecidas pelas bancadas, porém, chega a 517 deputados, número superior às 513 vagas da Câmara.
A margem de erro pode estar associada ao fato de as informações ainda estarem sendo atualizadas pelos partidos e a contagens que misturam deputados titulares e suplentes. Diferentemente dos titulares, que foram eleitos e têm mandatos próprios, os suplentes podem ser de um partido e ocupar um cargo pertencente a outro partido, provisoriamente. (Com informações de O Estado de S. Paulo)