Sábado, 24 de fevereiro de 2024

“A natureza nos ensina que podemos retardar os sintomas do Alzheimer”, diz neurocientista

O médico colombiano Francisco Lopera Restrepo, de 71 anos, dedicou mais da metade de sua vida a investigar as causas e possíveis curas do Alzheimer, uma doença neurodegenerativa que atualmente afeta mais de 40 milhões de pessoas no mundo. Lopera, atual diretor do Grupo de Neurociências da Universidade de Antioquia, em Medellín, trabalha há quatro décadas com mais de 6 mil membros de 25 famílias de uma cidade colombiana que sofrem de Alzheimer genético ou hereditário.

“A cidade de Yarumal, na Colômbia, é o lugar do mundo com a maior população desse tipo de Alzheimer. O segredo contra a doença pode estar aí”, explica Lopera.

O neurocientista, que em 2020 se consagrou como único latino-americano a ganhar o prestigioso prêmio “Bengt Winblad Lifetime Achievement” por sua luta contra o Alzheimer, é otimista frente à possibilidade de prevenção: “A natureza nos ensina que podemos atrasar em 30 anos a aparição dos sintomas”. Lopera diz isso para o caso de Aliria Rosa Piedrahita, a única mulher do mundo que tinha o gene do Alzheimer em sua biologia e, ao mesmo tempo, o de sua cura.

“O caso dela foi um experimento natural. Percebemos que o cérebro estava protegido por uma mutação que impedia o desenvolvimento da doença”, diz o médico. Aliria Rosa Piedrahita, como os outros membros de sua família, deveria começar a desenvolver sintomas aos 40 anos e morrer aos 60 anos, mas quando os cientistas a conheceram ela tinha 70 anos e se lembrava muito bem de tudo, estava viva e saudável. Ela viveu sem sinais da doença 30 anos a mais do que o esperado.

Em termos práticos, diz o médico, essa mulher mostrou à ciência uma forma de prevenir o Alzheimer. “Agora tudo que você tem que fazer é segui-lo”, explica ele. E revela que, em três meses, ele e seu grupo de pesquisa vão publicar um novo estudo científico que mostra como funcionava o cérebro de Aliria e outro com os resultados de um ensaio clínico que acaba de terminar para descobrir a eficácia de um medicamento contra a doença.

Resultado

De a acordo com o médico o resultado da pesquisa pode sair ainda neste ano. “Continuamos analisando os dados para concluir se esse medicamento é capaz de retardar os sintomas da doença nessa população. Apresentaremos os resultados na reunião da Associação Internacional de Alzheimer no dia 2 de agosto deste ano, em San Diego, na Califórnia. Posso dizer uma coisa: estamos otimistas. Sabemos que esses medicamentos não funcionaram no passado, mas nossa hipótese é que o fracasso ocorreu porque foram aplicadas tarde demais, quando o dano cognitivo já foi feito. Portanto, esperamos que, usando essa droga pré-clinicamente, antes que a pessoa tenha sintomas, possamos ter mais sucesso.”

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