Quinta-feira, 16 de abril de 2026

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura alertou que são reais os riscos de a crise no Estreito de Ormuz se transformar em uma catástrofe na alimentação

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que são reais os riscos de a crise no Estreito de Ormuz se transformar em uma catástrofe para o sistema agroalimentar internacional. A região é considerada estratégica para o comércio global, especialmente para o transporte de insumos essenciais à produção agrícola.

“O tempo está se esgotando e os navios que transportam insumos agrícolas críticos precisam voltar a circular pela região o mais rápido possível para evitar uma disparada na inflação de alimentos ainda este ano”, disse o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em podcast da organização, divulgado na segunda-feira (13).

O estreito permanece fechado desde 28 de fevereiro na esteira dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã e, embora um cessar-fogo tenha sido anunciado em 7 de abril, o fluxo ainda não ocorre de maneira significativa. Segundo a entidade, os últimos navios que deixaram o local antes dessa interrupção estão chegando agora aos seus destinos, o que sinaliza que o verdadeiro intervalo de oferta está apenas começando a se materializar no mercado global.

A avaliação da FAO é de que o impacto tende a ser gradual, mas potencialmente severo. Isso porque cadeias logísticas internacionais operam com certo nível de estoque, o que inicialmente suaviza choques abruptos. Ainda assim, à medida que esse colchão se reduz, os efeitos da interrupção passam a ser sentidos com mais intensidade, sobretudo em mercados dependentes de importação de fertilizantes e outros insumos agrícolas.

Estimativas da FAO indicam que entre 20% e 45% dos principais insumos agrícolas dependem dessa rota marítima, evidenciando o grau de vulnerabilidade do sistema global diante de bloqueios prolongados. A entidade ressalta que a normalização do tráfego é considerada essencial para evitar desequilíbrios mais amplos na oferta e na formação de preços.

Torero explicou que os preços das commodities ainda não subiram de forma expressiva porque os estoques existentes estão absorvendo o choque inicial. No entanto, ele alertou que, se o tráfego não for retomado o quanto antes, as pressões nos mercados de energia e fertilizantes serão traduzidas em preços mais altos para os consumidores ao longo de 2026 e em 2027.

Nesse cenário, a FAO reforça que o desdobramento da crise no Estreito de Ormuz será determinante para a estabilidade dos mercados agrícolas nos próximos meses, com possíveis impactos diretos sobre a inflação de alimentos em diferentes regiões do mundo. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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