Segunda-feira, 17 de junho de 2024

A origem do Hamas e a decisão de Israel de suspender o diálogo

O grupo extremista Hamas foi fundado em 1987 pelo xeque Ahmed Yassin, que atuava junto à Irmandade Muçulmana, a organização islâmica fundada no Egito, na década de 1920, que adquiriu influência política e ideológica em diversas esferas do mundo islâmico.

Na época da fundação, os palestinos realizavam a Primeira Intifada (1987-1993), uma revolta popular contra o controle israelense em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, um conflito que remete à divisão do território da Palestina, após a saída dos britânicos, e o reconhecimento internacional da independência do Estado de Israel em 1948.

Desde então, o Hamas foi classificado como terrorista por Israel, EUA, Reino Unido e União Europeia, enquanto seu braço armado esteve à frente de inúmeros ataques. Mas o Hamas é, ao mesmo tempo, uma organização política e administrativa, que mantém peso representativo, embora desgastado, em Gaza.

Em sua fundação, o Hamas se comprometeu com o objetivo de destruir Israel e nunca reconheceu o direito do Estado judeu de existir, na mesma linha de seu principal aliado, o Irã.

Controle 

A ação do grupo em Gaza se baseia nos seus pilares desde a fundação: a religião, a caridade e a luta contra o vizinho inimigo. A rivalidade com o Fatah, o grupo laico à frente pela criação de um Estado palestino e liderado então por Yasser Arafat, arrastou-se por anos, até Israel se retirar totalmente de Gaza, com a saída de soldados e colonos, em 2005. O avanço da influência do Hamas foi rápido.

O grupo tomou o poder na Faixa de Gaza em 2007, após expulsar para a Cisjordânia os integrantes do Fatah, partido na liderança da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida hoje por Mahmoud Abbas, que nunca teve a representatividade de Arafat.

O confronto entre as duas correntes palestinas ocorreu após o Hamas vencer as eleições parlamentares para o governo de Gaza, em 2006. O Hamas acusou o Fatah de conspiração contra o grupo, e Abbas classificou a ação de “golpe”.

Arafat foi o condutor da explosão da chamada Segunda Intifada (2000-2005), um novo levante palestino contra Israel cujo gatilho foi a visita de Ariel Sharon, então candidato a primeiro-ministro, ao Monte do Templo, também conhecido pelos muçulmanos como Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém em 2000.

Conflitos

Em todo esse período, o Hamas esteve por trás de diversos atentados suicidas em Israel. O grupo também orquestrou sequestros de militares.

Também ocorreram diversos confrontos em larga escala. Em 2008, Israel iniciou uma ofensiva de 22 dias em Gaza, após o lançamento de foguetes do Hamas em Sderot, a maior cidade israelense perto da fronteira com o território. Cerca de 1.400 palestinos e 13 israelenses morreram. Em 2014, o Hamas sequestrou e matou de três adolescentes israelenses, detonando uma guerra que durou quase dois meses, que matou mais de 2 mil palestinos e mais de 70 israelenses, incluindo alguns civis.

A última escalada de confrontos começou em maio de 2021, quando a polícia israelense invadiu a Mesquita de al-Aqsa, na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, o terceiro local mais sagrado para o islamismo. Os enfrentamentos em Jerusalém dispararam ataques do Hamas com foguetes e uma guerra de 11 dias que matou mais de 200 palestinos e pelo menos 10 israelenses.

No ano passado, o conflito se intensificou na Cisjordânia, após atentados em solo israelense. Dezenas de palestinos morreram. Este ano, Israel fez inúmeras operações na Cisjordânia, deslocando um grande contingente militar para a região, o que muitos analistas apontam agora como um dos fatores que podem estar envolvidos na fragilidade do controle na fronteira com Gaza exposta pela invasão de centenas de extremistas armados do Hamas, no último sábado (7).

Paz

Em 1994, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, o chanceler israelense, Shimon Peres, e o presidente da OLP, Yasser Arafat, ganharam o Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento pelos Acordos de Oslo, assinados em Washington sob mediação do então presidente americano Bill Clinton.

O acordo foi obtido em negociações secretas na Noruega. Israel concordou em conceder aos palestinos autonomia relativa na Faixa de Gaza e em partes da Cisjordânia, além da criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Após o acordo, Arafat retornou aos territórios palestinos após 27 anos de exílio para ficar à frente da ANP.

Um ano depois de ganhar o prêmio, Yitzhak Rabin foi assassinado com dois tiros disparados por um extremista de direita israelense, durante uma manifestação pela paz, e os acordos não progrediram.

Em 2000, foi feita uma nova investida, ainda no governo Clinton, com a cúpula de Camp David, nos EUA, quando os dois lados se viram diante de impasses sobre o status de Jerusalém — reivindicada por israelenses e palestinos como capital — e o futuro dos refugiados da guerra de 1948. Clinton defendeu a criação de um Estado palestino em toda Faixa de Gaza e 95% da Cisjordânia. Em troca, os palestinos deveriam renunciar ao direito de retorno dos refugiados a Israel. Em setembro do mesmo ano, a visita de Ariel Sharon, um conservador de direita odiado pelos palestinos, à Esplanada das Mesquitas fez eclodir a Segunda Intifada.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, e durante os governos dos ex-presidentes George W. Bush e Barack Obama, os EUA estiveram envolvidos em duas guerras [Iraque e Afeganistão], e o conflito no Oriente Médio deixou de ser prioridade da política externa americana. No governo do presidente Donald Trump, os EUA fizeram uma nova proposta de paz. Os palestinos recusaram previamente a proposta, alegando que era excessivamente favorável a Israel.

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