Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de setembro de 2026
A Polícia Federal encontrou uma lista escrita à mão na churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP), intitulada “Câmara”, com nomes como “Arthur” e “Hugo” e uma série de números —provavelmente “valores”, segundo a corporação.
Para a PF, é provável que os nomes citados sejam referências ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), além do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL), e dos deputados Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Uma funcionária afirmou aos investigadores, segundo a PF, que o manuscrito havia sido entregue a ela por Ciro Nogueira, que teria pedido para que o papel fosse queimado, por se tratar de um documento antigo, supostamente sem serventia. Ela disse à PF que não o fez porque não teve tempo.
O manuscrito foi encontrado numa operação de busca e apreensão na casa do senador em Brasília, no dia 7 de maio deste ano, durante deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero.
Procurada, a assessoria de Nogueira informou que não se manifestaria sobre o achado. A assessoria de Lira disse que ele desconhece as anotações mencionadas e que não pode responder por esse registro.
Elmar Nascimento disse que não se tratam de valores, mas sim de números. “Não tenho nenhuma relação política com Ciro Nogueira, só quem pode explicar isso é ele”, afirmou.
“Desconfio da PF, quem me garante que foi encontrado lá [na casa de Ciro Nogueira]? Eles não têm fé pública de nada, não respeitam nem ministro do STF, quanto mais a gente.”
Elmar disse, ainda, que o documento deve ter sido descartado, “já que a PF não pediu para levar para o plenário do STF, por investigar presidente de Poder”.
A Folha de S. Paulo procurou via assessoria ou diretamente os deputados Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. Após a publicação desta reportagem, Motta classificou como “absurda” a associação do seu nome a “qualquer tipo de ilícito”, com base “em um papel apócrifo, que desconheço sua elaboração e conteúdo”.
“Não sei do que se trata e repudio qualquer ilação nesse sentido. Confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações. Não podemos permitir que inverdades se multipliquem, particularmente em período eleitoral”, afirmou o presidente da Câmara, em nota.
Outros nomes, porém, constam no papel ao lado de números: Altineu (5), Diego (5) e Netinho (5). Na Câmara, o único Altineu é o ex-líder do PL, Altineu Cortes (RJ).
Procurada, a assessoria de Altineu Cortes não respondeu.
A Polícia Federal investiga se o presidente do PP recebeu vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, como uma mesada e serviços de luxo, para favorecer os interesses da instituição no Congresso. À época da operação, a defesa de Nogueira afirmou que ele “não teve qualquer participação em atividades ilícitas”, e o senador disse que aquela era uma tentativa de manchar sua honra.
Com a retirada do sigilo de processos do caso Master, na sexta (11), a pedido do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, ficaram disponíveis para consulta, entre milhares de outras peças, os achados da operação que atingiu Nogueira.
No relatório com a listagem dos itens encontrados, a PF não fornece mais informações sobre o papel achado na churrasqueira, dizendo que ele “carece de esclarecimento”. Com informações da Folha de S. Paulo.