Domingo, 15 de março de 2026

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro identificou um aumento de ataques nas redes sociais. A estratégia, por enquanto, é de continuar a “jogar parado”, sem “bater boca” com Lula e seus aliados

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) identificou um aumento de ataques contra o senador nas redes sociais nas últimas semanas, em meio ao crescimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais. A estratégia, por enquanto, é de continuar a “jogar parado”, sem “bater boca” com o presidente Lula (PT) e seus aliados.

Integrantes do PT e da base de Lula têm a expectativa de que Flávio derreta nas pesquisas com a intensificação dos ataques contra ele, com a aproximação da campanha eleitoral. Como mostrou a coluna Painel, no fim do mês passado, o presidente do PT, Edinho Silva, pediu uma ofensiva contra o senador em discurso aos dirigentes do partido, cobrando mobilização da militância petista.

Até aqui, os ataques ao senador foram comedidos. No meio político, a avaliação é de que a pré-campanha do presidente considerava Flávio um adversário mais fácil de ser derrotado do que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Por isso, a estratégia seria poupar o filho de Bolsonaro até o início de abril —prazo máximo, segundo a lei eleitoral, para que Tarcísio deixasse o cargo para concorrer ao Planalto.

Nos últimos meses, porém, o ciclo de notícias foi negativo, com o caso Master, que desgastou a imagem do Supremo Tribunal Federal, e com as menções ao filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, nas investigações sobre o escândalo de fraudes no INSS.

Desde o anúncio de sua pré-candidatura até o momento atual, pesquisas eleitorais identificaram crescimento significativo das intenções de voto em Flávio. Nos cenários de primeiro turno testados pelo Datafolha no início de março, o senador aparece atrás de Lula por cinco ou seis pontos. No segundo turno, estão empatados tecnicamente –o presidente tem 46% e o senador, 43%.

Professor de comunicação política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Beto Vasques avalia que o cenário de segundo turno foi antecipado de forma atípica. Ele pondera que, embora as taxas de intenções de voto em Flávio tenham crescido, sua rejeição também.

Em dezembro, segundo o Datafolha, o filho de Bolsonaro era rejeitado por 38% dos eleitores. Na última pesquisa, no início do mês, essa porcentagem subiu para 45%.

“Pela alta da rejeição do Flávio, nada nos habilita a dizer que ele está numa curva ascendente. Ele está antecipando um potencial de voto que a gente esperava ver em setembro, mas é junto com a rejeição”, diz Vasques, que acumula uma série de campanhas eleitorais em sua trajetória.

O monitoramento do entorno do senador identificou nas últimas semanas crescimento nas menções negativas nas redes, com termos como “rachadinha” e “Bolsomaster”, buscando vincular o grupo bolsonarista ao escândalo do banco de Daniel Vorcaro.

Um integrante da pré-campanha disse à reportagem que essas menções estão restritas à bolha petista e que, como o PT está falando para convertidos, elas não demandam resposta.

O filho de Bolsonaro tem apostado em se apresentar como a versão moderada do pai para conquistar os eleitores independentes, que devem decidir as próximas eleições.

Esse mesmo integrante diz acreditar que o tema da corrupção é negativo para a esquerda, por conta dos históricos do mensalão e da Lava Jato, e que o presidente não terá sucesso em explorá-lo contra Flávio.

Para ele, os casos pelos quais o senador foi investigado –a “rachadinha” e a suposta lavagem de dinheiro por meio de imóveis e de uma loja de chocolates– são antigos, de conhecimento do eleitor, e não devem ter impacto significativo.

Flávio foi denunciado em novembro de 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, mas as investigações foram encerradas após o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularem no ano seguinte as provas coletadas. Ele sempre negou as acusações.

Nas redes sociais, aliados de Lula sugerem que o crescimento do senador nas pesquisas ocorre porque a pré-campanha do presidente ainda não está a todo vapor. O deputado federal André Janones (Avante), por exemplo, disse aos seguidores para não se preocuparem com esses levantamentos. “Quando a gente começar a descer o cacete no Flávio, ele vai derreter”, escreveu no X.

Presidente do PP e aliado de Flávio, o senador Ciro Nogueira diz  que considera difícil que o filho de Bolsonaro desidrate. “Em 2022, o sentimento era de que as pessoas votaram em Lula para derrotar Bolsonaro. Agora está acontecendo o inverso, as pessoas vão votar no Flávio para derrotar Lula.”

Para ele, há um desgaste e um cansaço em relação ao material que o presidente pode explorar na campanha. “Eles apostaram tudo em [ampliar a isenção do] Imposto de Renda e não houve efeito eleitoral.”

O senador também concorda com a avaliação de que as investigações passadas contra Flávio não terão grande impacto. “Isso é coisa superada. É como dizer que vai derrubar Lula com mensalão ou petrolão. A não ser que tenham coisas novas. Acho muito pior para o Lula, com a questão do filho dele.” Com informações da Folha de São Paulo.

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