Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de fevereiro de 2026
Antes de atravessar a cordilheira dos Andes de avião, é recomendável se preparar: a probabilidade de enfrentar turbulência é alta. Quatro das dez rotas aéreas que mais “chacoalharam” ao redor do planeta em 2025 incluem trechos dessa região, de acordo com o ranking anual do Turbli, site dedicado ao monitoramento da intensidade desse fenômeno em voos comerciais.
Pelo segundo ano consecutivo, a rota apontada como a mais turbulenta do mundo conecta o Aeroporto Internacional El Plumerillo (MDZ), em Mendoza, na Argentina, ao Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez (SCL), em Santiago, no Chile – uma ligação curta, mas conhecida por “sacudir” bastante durante o voo.
Além desse trajeto entre Argentina e Chile, outras ligações da América do Sul também figuram na lista global, ocupando as 4ª, 5ª e 7ª posições no ranking divulgado pelo Turbli. Isso mostra que os trechos que cruzam terreno elevado tendem a registrar níveis mais altos de turbulência média ao longo do ano.
Curiosamente, nenhuma rota que passa pelo Brasil apareceu entre as dez mais turbulentas de 2025, apesar de alguns voos brasileiros enfrentarem turbulência em outros estudos e medições regionais.
Assim como a América do Sul, a China também se destaca no ranking, com várias rotas chinesas entre as mais afetadas, especialmente aquelas que sobrevoam regiões montanhosas ou enfrentam correntes de ar que se intensificam por causa do relevo. Regiões com terrenos elevados, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, favorecem correntes de vento mais instáveis, o que aumenta as chances de turbulência durante o voo, conforme explica o Turbli.
Nas redes sociais, diversos vídeos mostram passageiros compartilhando seus relatos dos “perrengues” enfrentados durante episódios de turbulência sobre os Andes – cenas que reforçam a fama desse trecho como um dos mais desafiadores para viajantes que buscam conforto no ar.
O ranking do Turbli é elaborado desde 2022 com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e do Met Office, o serviço meteorológico oficial do Reino Unido.
A análise considera cerca de 10 mil rotas entre os 550 maiores aeroportos do mundo. Em cada uma dessas ligações, o estudo monitorou 20 voos por mês, calculando o resultado anual a partir da média dos dados coletados ao longo do ano.
O Turbli mede a intensidade da turbulência usando o EDR (eddy dissipation rate), um índice que avalia a velocidade dos ventos e a energia envolvida no ar. Quanto maior o EDR, mais intensa é a turbulência registrada.
Na escala utilizada, valores de zero a 20 são considerados leves; de 20 a 40, moderados; de 40 a 60, fortes; de 60 a 80, severos; e de 80 a 100, extremos. Mesmo assim, nenhuma das rotas mais turbulentas em 2025 teve níveis além do moderado.
– Veja as 10 rotas aéreas mais turbulentas do mundo em 2025
* Mendoza (Argentina) – Santiago (Chile)
* Xining (China) – Yinchuan (China)
* Chengdu (China) – Xining (China)
* Córdoba (Argentina) – Santiago (Chile)
* Santa Cruz (Venezuela) – Santiago (Chile)
* Chengdu (China) – Lanzhou (China)
* Mendoza (Argentina) – Salta (Argentina)
* Chengdu (China) – Yinchuan (China)
* Xining (China) – Lhasa (China)
* Denver (EUA) – Jackson (EUA).