Domingo, 11 de janeiro de 2026

A um custo elevadíssimo, o Banco Central conseguiu levar a inflação de volta a patamares considerados aceitáveis pela política monetária

O Banco Central conseguiu, a um custo elevadíssimo, levar a inflação de volta a patamares considerados aceitáveis pela política monetária. O IPCA fechou o ano passado em 4,26%, ainda acima da meta de 3%, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O custo é a taxa de juros de 15% anuais, mais de 10% acima da variação dos preços, a segunda maior do mundo em termos reais, atrás apenas da Turquia. Foi o necessário a fazer para desacelerar o crédito e a demanda na forma de consumo das famílias e investimentos das empresas.

Por amargo que seja o remédio, é preciso tomá-lo. A inflação é desastrosa para a renda da população, sobretudo a mais pobre —e negligenciar seu controle produz danos muito maiores à frente.

A mesma Turquia o demonstra de forma dramática. Em 2021, quando o mundo vivia um surto inflacionário após o impacto da pandemia, o banco central do país decidiu, a partir de teorias exóticas e pressões do governo autocrático, reduzir os juros. O resultado foi uma inflação que ultrapassou os 60% e hoje ainda está acima de 30% anuais.

A história brasileira é pródiga em experiências do tipo. No caso mais recente, sob Dilma Rousseff (PT), a tentativa de usar as políticas fiscal e monetária para impulsionar na marra o crescimento econômico produziu a trágica estagflação de 2015 —a combinação de inflação de 10,67% e recessão com queda de 3,5% do PIB.

De lá para cá, a diferença é que o BC ganhou autonomia e resiste às pressões da administração petista, mesmo com uma diretoria de maioria indicada por Luiz Inácio Lula da Silva. Já na área do gasto público foi retomado o expansionismo inconsequente.

Os juros seriam menores se as despesas federais, excluindo encargos da dívida pública, não tivessem crescido 15% acima da inflação, de R$ 2,095 trilhões em 2022 para R$ 2,412 trilhões nos 12 meses encerrados em novembro, dos quais R$ 57,4 bilhões não cobertos pelas receitas, segundo dados do Tesouro corrigidos.

Os impactos da irresponsabilidade fiscal só não foram ainda piores graças à ajuda involuntária de Donald Trump. A enxurrada de decisões abiloladas do presidente americano fez desabarem as cotações do dólar no mundo, e a queda de 11,2% no Brasil favoreceu o controle dos preços.

Resta muito esforço a fazer para levar o IPCA à meta, o que não deve ser conseguido neste 2026. Espera-se que o próximo governo, qualquer que seja o vencedor das eleições, compreenda a necessidade de fazer a sua parte. (Opinião/Folha de S. Paulo)

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